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Codificação Kardeciana: Básicas, não! Fundamentais, sim!









Introdução ao "O Livro dos Espíritos" , elaborada por J Herculano Pires:

<< Com este livro, a 18 de abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador, do Paracleto ou Espírito da Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que "O Livro dos Espíritos" é o código de uma nova fase da evolução humana. E é exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente.

Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da Doutrina Espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo. Antes deste livro não havia Espiritismo, e nem mesmo esta palavra existia. Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Allan Kardec o lançou à publicidade, "contendo os princípios da Doutrina Espírita", uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo.

Há uma seqüência histórica que não podemos esquecer, ao tomar este livro nas mãos. Quando o mundo se preparava para sair do caos das civilizações primitivas, apareceu Moisés, como o condutor de um povo destinado a traçar as linhas de um novo mundo: e de suas mãos surgiu a Bíblia. Não foi Moisés quem a escreveu, mas foi ele o motivo central dessa primeira codificação do novo ciclo de revelações: o cristão. Mais tarde, quando a influência bíblica já havia modelado um povo, e quando este povo já se dispersava por todo o mundo gentio, espalhando a nova lei, apareceu Jesus; e das suas palavras, recolhidas pelos discípulos, surgiu o Evangelho.

A Bíblia é a codificação da primeira revelação cristã, o código hebraico em que se fundiram os princípios sagrados e as grandes lendas religiosas dos povos antigos. A grande síntese dos esforços da antigüidade em direção ao espírito. Não é de admirar que se apresente muitas vezes assustadora e contraditória, para o homem moderno. O Evangelho é a codificação da segunda revelação cristã, a que brilha no centro da tríade dessas revelações, tendo na figura do Cristo o sol que ilumina as duas outras, que lança a sua luz sobre o passado e o futuro, estabelecendo entre ambos a conexão necessária. Mas assim como, na Bíblia, já se anunciava o Evangelho, também neste aparecia a predição de um novo código, o do Espírito da Verdade, como se vê em João, XIV. E o novo código surgiu pelas mãos de Allan Kardec, sob a orientação do Espírito da Verdade, no momento exato em que o mundo se preparava para entrar numa fase superior do seu desenvolvimento.

Hegel, em suas lições de estética, mostra-nos as criações monstruosas da arte oriental, — figuras gigantescas, de duas cabeças e muitos braços e pernas, e outras formas diversas, — como a primeira tentativa do Belo para dominar a matéria e conseguir exprimir-se através dela. A matéria grosseira resiste à força do ideal, desfigurando-o nas suas representações. Mas acaba sendo dominada, e então aparecem no mundo as formas equilibradas e harmoniosas da arte clássica. Atingido, porém, o máximo de equilíbrio possível, o Belo mesmo rompe esse equilíbrio, nas formas românticas e modernas da arte, procurando superar o seu instrumento material, para melhor e mais livremente se exprimir. Essa grandiosa teoria hegeliana nos parece perfeitamente aplicável ao processo das revelações cristãs: das formas incongruentes e aterradoras da Bíblia, passamos ao equilíbrio clássico do Evangelho, e deste à libertação espiritual de "O Livro dos Espíritos ".

Cada fase da evolução humana se encerra com uma síntese conceptual de todas as suas realizações. A Bíblia é a síntese da antigüidade, como o Evangelho é a síntese do mundo greco-romano-judaico, e "O Livro dos Espíritos" a do mundo moderno. Mas cada síntese não traz em si tão somente os resultados da evolução realizada, porque encerra também os germes do futuro. E na síntese evangélica temos de considerar, sobretudo, a presença do Messias, como uma intervenção direta do Alto para a reorientação do pensamento terreno. É graças a essa intervenção que os princípios evangélicos passam diretamente, sem necessidade de readaptações ou modificações, em sua pureza primitiva, para as páginas deste livro, como as vigas mestras da edificação da nova era.



A Codificação Espírita

1º) "O Livro dos Espíritos" não é, porém, apenas, a pedra fundamental ou o marco inicial da nova codificação. Porque é o seu próprio delineamento, o seu núcleo central e ao mesmo tempo o arcabouço geral da doutrina. Examinando-o, em relação às demais obras de Kardec, que completam a codificação, verificamos que todas essas obras partem do seu conteúdo. Podemos definir as várias zonas do texto correspondentes a cada uma delas.

Assim como, na Bíblia, há o núcleo central do Pentateuco, e no Evangelho o do ensino moral do Cristo, em "O Livro dos Espíritos" podemos encontrar uma parte que se refere a ele mesmo, ao seu próprio conteúdo: é o constante dos Livros I e II, até o capítulo quinto. Este núcleo representa, dentro da esquematização geral da codificação, que encontramos no livro, a parte que a ele corresponde. Quanto aos demais, verificamos o seguinte:

2º) "O Livro dos Médiuns", seqüência natural deste livro, que trata especialmente da parte experimental da Doutrina, tem a sua fonte no Livro II, a partir do capítulo sexto até o final. Toda a matéria contida nessa parte é reorganizada e ampliada naquele livro, principalmente a referente ao capítulo nono: "Intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo".

3º) "O Evangelho segundo o Espiritismo" é uma decorrência natural do Livro III, em que são estudadas as leis morais, tratando-se especialmente da aplicação dos princípios da moral evangélica, bem como dos problemas religiosos da adoração, da prece e da prática da caridade. Nessa parte o leitor encontrará, inclusive, as primeiras formas de "Instruções dos Espíritos", comuns àquele livro, com a transcrição de comunicações por extenso e assinadas, sobre questões evangélicas.

4º) "O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo" decorre do Livro IV, "Esperanças e Consolações" em que são estudados os problemas referentes às penas e aos gozos terrenos e futuros, inclusive com a discussão do dogma das penas eternas e a análise de outros dogmas, como o da ressurreição da carne, e os do paraíso, inferno e purgatório.

5º) "A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo", relaciona-se aos capítulos II, III e IV do Livro I, e capítulo IX, X e XI do Livro II, assim como a parte dos capítulos do Livro III que tratam dos problemas genésicos e da evolução física da Terra. Por seu sentido amplo, que abrange ao mesmo tempo as questões da formação e do desenvolvimento do globo terreno, e as referentes a passagens evangélicas e escriturísticas, esse livro da codificação se ramifica de maneira mais difusa que os outros, na estrutura da obra-mater.

6º) O pequeno livro introdutório ao estudo da doutrina, "O que é o Espiritismo" que não se inclui propriamente na codificação, também ele está diretamente relacionado com "O Livro dos Espíritos", decorrendo da "Introdução" e dos "Prolegômenos".

7º) "Obras Póstumas", que representa o testamento doutrinário de Allan Kardec. Reúne os seus derradeiros escritos e as anotações íntimas, destinadas a servir mais tarde para a elaboração da História do Espiritismo que ele não pode realizar.

A codificação se apresenta, pois, como um todo homogêneo e conseqüente. À luz desse estudo, caem por terra as tentativas de separar de um ou outro livro do bloco da codificação, como possível expressão de uma forma diferente de pensamento. E note-se que as ligações aqui assinaladas, de maneira apenas formal, podem e devem ser esclarecidas em profundidade, por um estudo minucioso do conteúdo das diversas partes de "O Livro dos Espíritos", em confronto com os demais livros. Esse estudo exigiria, também, uma análise dos textos primitivos, como a primeira edição deste livro e a primeira de "O Livro dos Médiuns" e do "Evangelho", pois, como se sabe, todas essas obras foram ampliadas por Kardec depois de suas primeiras edições, sempre sob a assistência e orientação dos Espíritos.

Num estudo mais amplo e profundo, seria possível mostrar-se o desenvolvimento de certos temas, que apenas colocados pelo "O Livro dos Espíritos" vão ter a sua solução em obras posteriores. E o que se verifica, por exemplo, com as ligações do Cristianismo e o Espiritismo, que se definem completamente em "O Evangelho", ou com o problema controvertido da origem do homem, que vai ter a sua explicação definitiva em "A Gênese", ou ainda com as questões mediúnicas, solucionadas no "O Livro dos Médiuns', e as teológicas e escriturísticas, no "O Céu e o Inferno".

Convém notar, entretanto, que o desenvolvimento de todas essas questões não representa, em nenhum caso, a modificação dos princípios firmados neste livro. Às vezes, problemas apenas aflorados em "O Livro dos Espíritos" vão ser desenvolvidos de tal maneira em outras obras, que, ao lê-las, temos a impressão de encontrar novidades. A verdade, entretanto, é que neste livro eles já foram assinalados de maneira sintética. É o que ocorre, por exemplo, com o problema da evolução geral, definida por Leon Denis naquela frase célebre: "A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem". Veja-se, a este respeito, a definição do item 540 deste livro, que para maior fidelidade a reproduzimos. "É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto!"

A Filosofia Espírita

Esta rápida apreciação da estrutura de "O Livro dos Espíritos", em suas ligações com as demais obras da codificação, parece-nos suficiente para mostrar que ele constitui, como dissemos, no início, o arcabouço filosófico do Espiritismo. Contém, segundo Kardec declarou no frontispício, "Os princípios da Doutrina Espírita". É, portanto, o seu tratado filosófico. Embora não tenha sido elaborado em linguagem técnica, e não observe os rigores da minuciosa exposição filosófica, é todo um complexo e amplo sistema de filosofia que nele se expõe.

Ao apreciá-lo, sob esse aspecto, devemos considerar que Kardec não era um filósofo, mas um educador, um especialista em pedagogia, discípulo emérito de Pestalozzi. Daí o aspecto antes didático do que propriamente de exposição filosófica que imprimiu ao livro.

Em segundo lugar, a obra não foi propriamente escrita por ele, mas elaborada com as respostas dadas pelos Espíritos às suas perguntas, nas sessões mediúnicas, com as meninas Boudin e Japhet, e mais tarde com outros médiuns.

Em terceiro lugar, o livro não se destinava a formar escola filosófica, a conquistar os meios especializados, mas apenas a divulgar os princípios da doutrina de maneira ampla, convocando os homens em geral para o estudo de uma realidade superior a todas as elucubrações do intelecto.

Em quarto lugar, o próprio Kardec teve o cuidado de advertir, nos "Prolegômenos", que evitava os prejuízos do espírito de sistema, como vemos neste trecho, em que se refere ao ensino dos Espíritos:

"Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema".

Como se vê, "estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema" e não criar uma nova escola filosófica, o que implicaria toda uma rígida sistematização. Esse propósito vem ao encontro do pensamento dos filósofos modernos, como vemos, por exemplo, em Ernest Cassirer, que em sua "Antropologia Filosófica", referindo-se à inconveniência dos sistemas, diz: "Cada teoria se converte num leito de Procusto, em que os fatos empíricos são obrigados a se acomodar a um padrão preconcebido". Max Scheller, por sua vez, comenta: "Dispomos de uma antropologia científica, outra filosófica e outra teológica, que se ignoram entre si". Kardec esquivou-se precisamente a isso, tanto mais que o espírito de sistema seria a própria negação dos objetivos da doutrina.

Quanto ao problema da linguagem técnica, não devemos nos esquecer de que o livro se destinava ao grande público, e não apenas aos especialistas. Podemos lembrar, a propósito, o exemplo de Descartes, que escreveu o seu "Discurso do Método" em francês, quando o latim era a língua oficial da filosofia, porque desejava dar-lhe maior divulgação. Mesmo que Kardec fosse um filósofo especializado, a linguagem técnica não serviria aos seus propósitos nesta obra.

Quanto ao método didático, não seria este o primeiro livro de filosofia a dele se socorrer. Podemos lembrar, por exemplo, "A Ética", de Espinosa. Kardec inicia este livro com a definição de Deus, como Espinosa naquele, e se não segue a forma geométrica de exposição, por meio de definições, axiomas, proposições e escólios, segue entretanto a forma lógica, através de perguntas e respostas, intercaladas de comentários e explicações. Há, aliás, curiosas similaridades de estrutura, de posição, de ligações históricas e de princípios, entre esses dois livros, reclamando estudo mais aprofundado. Como as há entre o que se pode chamar a revolução cartesiana e o Espiritismo, a começar pelos famosos sonhos de Descartes e a sua convicção de haver sido inspirado pelo Espírito da Verdade.

Yvonne Castellan, num breve, falho, às vezes gritantemente injusto, mas em parte simpático estudo da doutrina referindo-se ao "O Livro dos Espíritos", mostra que: "O sistema é completo, e compreende uma metafísica, inteiramente repleta de considerações físicas ou genéticas, e uma moral". Numa análise mais séria, a autora teria visto que a estrutura é mais complexa do que supôs.

O livro começa pela metafísica, passando depois à cosmologia, à psicologia, aos problemas propriamente espíritas da origem e natureza do espírito e suas ligações com o corpo, bem como aos da vida após a morte, para chegar, com as leis morais, à sociologia e à ética, e concluir, no Livro IV, com as considerações de ordem teológica sobre as penas e gozos futuros e a intervenção de Deus na vida humana. Todo um vasto sistema, sem as exigências opressoras ou os prejuízos do espírito de sistema, numa estrutura livre e dinâmica, em que os problemas são postos em debate.

Lembrando-nos dos primórdios do Cristianismo, podemos dizer que o Espiritismo tem sobre ele uma vantagem, no tocante ao problema filosófico. A simplicidade de "O Livro dos Espíritos" não chega ao ponto de nos obrigar a adaptar sistemas antigos aos nossos princípios, como aconteceu com Santo Agostinho e São Tomaz, em relação a Platão e Aristóteles, para a criação da chamada filosofia cristã. O Espiritismo já tem o seu próprio sistema, na forma ideal que o futuro consagrará, e cujas vantagens vimos acima.

Por outro lado, é curioso notar que "O Livro dos Espíritos" se enquadra numa das formas clássicas e mais fecundamente livres da tradição filosófica: o diálogo. Por tudo isso, vê-se que Kardec, sem ser o que se pode chamar um filósofo profissional, tinha muita razão ao afirmar, no capítulo VI da "Conclusão", referindo-se ao Espiritismo: "Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom senso".

A Dialética Espírita

Hegel definiu a estrutura e a função do diálogo, identificando as suas leis com as do próprio ser: tese, antítese e síntese. Mais tarde, Marx e Engels deslocaram o diálogo dessa concepção ontológica, para lhe dar um sentido materialista e revolucionário. Coube a Hamelin, entretanto, defini-lo em seu aspecto mais fecundo, como um processo de fusão necessária da tese e da antítese, na produção de uma nova idéia ou nova tese.

Este, a nosso ver, é o processo dialético do Espiritismo, que em vez de dar ênfase à contradição em si, à luta dos opostos, prefere dá-la à harmonia, à fusão dos contrários, para uma nova criação. E é nesse sentido que se desenvolve o diálogo no "O Livro dos Espíritos".

Nunca houve, aliás, um diálogo como este. Jamais um homem se debruçou, com toda a segurança do homem moderno, nas bordas do abismo do incognoscível, para interrogá-lo, ouvir as suas vozes misteriosas, contradizê-lo, discutir com ele, e afinal arrancar-lhe os mais íntimos segredos. E nunca, também, o abismo se mostrou tão dócil, e até mesmo desejoso de se revelar ao homem em todos os seus aspectos.

Sócrates ouvia as vozes do seu "daimónion" e discutia com o Oráculo de Delfos. Mas Kardec não se limitou a isso: foi mais longe, dialogando com todo o mundo invisível, analisando rigorosamente as suas vozes, ouvindo inferiores e superiores, para descobrir as leis desse mundo, as formas de vida nele existentes, o mecanismo das suas relações com o nosso.

O método dialético é o processo natural do desenvolvimento, tanto do pensamento como de todas as coisas. Emmanuel, certa vez, comparou o Velho Testamento a um apelo dos homens a Deus, e o Novo Testamento, à resposta de Deus. Aceitando essa imagem, podemos dizer que "O Livro dos Espíritos" é a síntese desse diálogo, é o momento em que segundo a definição de Hamelin, o apelo e a resposta se fundem na compreensão espiritual, abrindo caminho a uma nova fase da vida terrena.

A Legitimidade do Livro

Ao publicar "A Gênese", em 1868, Kardec pode acentuar que "O Livro dos Espíritos", lançado dez anos antes, continuava tão sólido como então. Nenhum dos seus princípios fundamentais havia sido abalado pela experiência, todos permaneciam em pé. Hoje, cem anos depois, se ainda vivesse entre nós, o codificador poderia dizer o mesmo.

E isso num século em que o mundo se transformou de maneira vertiginosa, em que a chamada ciência positiva foi revirada de ponta a ponta, em que as concepções filosóficas sofreram tremendos impactos. Há conceitos que, à primeira vista, parecem desmentidos, ou pelo menos postos em dúvida pela ciência. É o caso do fluido universal, mas somente quando o confundimos com o conceito científico do éter espacial.

Na verdade, o desenvolvimento da ciência se processa exatamente na direção dos princípios espíritas. A desintegração da matéria pela física nuclear, a concepção da matéria como concentração de energia, a percepção cada vez mais clara de uma estrutura matemática do universo, a conclusão a que alguns cientistas são forçados a chegar, de que, por trás da energia parece haver outra coisa, que seria o pensamento, — tudo isso nos mostra que Kardec tinha razão ao proclamar que nem Deus, nem a religião verdadeira, nem portanto o Espiritismo, tinham nada a perder com o avanço da ciência. Pelo contrário, só tem a ganhar, como os fatos demonstram, dia a dia.

Essa segurança dos princípios espíritas decorre da legitimidade da fonte espiritual deste livro, da pureza dos seus meios de transmissão mediúnica, da precisão do método kardeciano.

A fonte, como se vê pela revelação espontânea e inesperada do Espírito da Verdade a Kardec, segundo as anotações autobiográficas de "Obras Póstumas", e pela confirmação posterior de tantos outros Espíritos, ou como se pode constatar, lógica e historicamente, pelo processo de restabelecimento do Cristianismo, que o Espiritismo realiza, é a mesma de que precedeu aquele. Não é Kardec, nem este ou aquele Espírito em particular, nem um grupo de homens, mas toda a falange do Espírito da Verdade, enviada à Terra em cumprimento da promessa de Jesus — a fonte espiritual de "O Livro dos Espíritos".

Quanto aos meios mediúnicos de transmissão, correspondiam à pureza da fonte. As médiuns que serviram a esse trabalho foram duas meninas, Caroline e Julie Boudin, de 16 e 14 anos respectivamente, a que mais tarde se juntaria outra menina, a srta. Japhet, no processo de revisão do livro. As reuniões se realizavam na casa da família Boudin, na intimidade do lar, entre pessoas amigas, e as respostas dos Espíritos eram transmitidas por meio da cesta de bico, a que se adaptava um lápis. As meninas punham as mãos sobre a cesta e esta se movimentava, escrevendo as mensagens, com absoluta impossibilidade de ação dos médiuns na escrita. Mais tarde, seguindo instruções dos próprios Espíritos, Kardec submete o livro ao controle de outros médiuns, mas todos escolhidos criteriosamente. Além disso, as respostas dos Espíritos eram confrontadas com as comunicações obtidas em outros grupos, em obediência ao princípio da universalidade das revelações, que veremos a seguir.

O método de Kardec transformou-se no método da própria doutrina, e tem, na sua própria simplicidade, a garantia da sua eficiência. Podemos resumi-lo assim:

1º) Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral, quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual;

2º) Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado;

3º) Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem;

4º) Consenso universal, ou seja, concordância de várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.

Armado desses princípios, escudado rigorosamente nesse critério, Kardec pode realizar a difícil tarefa de reunir a série de informações que lhe permitiram organizar este livro. Interessante lembrar que esse mesmo critério, em parte, havia sido ensinado por João, em sua primeira epístola (IV:1) bem como pelo apóstolo Paulo, em sua primeira epístola aos coríntios. As raízes do método kardeciano estão no Novo Testamento.

Não se pode confundir, porém, o método doutrinário com os métodos de investigação científica dos fenômenos espíritas. No trato mediúnico, a premissa da existência do Espírito e da possibilidade da comunicação já está firmada. O que importa é o controle da legitimidade da comunicação. Na pesquisa científica, tudo ainda está para ser descoberto e provado. As investigações científicas podem variar infinitamente de processos e métodos, de acordo com os investigadores. As sessões mediúnicas não podem fugir ao método kardeciano, que se comprovou na prática, há um século, o único realmente eficiente, e que procede, como vimos, das reuniões mediúnicas da era apostólica.

Problemas secundários, como o da assinatura de certas comunicações por nomes célebres, são explicados por Kardec na "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita" capítulos XI e XII, para os quais remetemos o leitor interessado. Algumas pessoas perguntam por que motivo Kardec não ocultou os nomes que subscrevem os "Prolegômenos", publicando apenas a mensagem, como fez com a maioria das respostas deste livro. Essas assinaturas, segundo dizem, afastam da obra muitos leitores, que a consideram mistificação grosseira.

A explicação está na sinceridade de Kardec e na sua fidelidade aos Espíritos que lhe revelaram a doutrina. Ocultar-lhes os nomes seria deixar uma possibilidade de lhe atribuírem a obra, e ele sempre fez questão de precisar que não passava de um colaborador dos autores espirituais. Além disso, suas explicações a respeito são absolutamente claras, para todos os que estão aptos a compreender o fenômeno espírita em sua plenitude.

O Problema Científico

Kardec examina o problema científico do Espiritismo no capítulo VII da "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita". Vejamos um trecho bastante esclarecedor, que o leitor encontrará no lugar próprio desta edição: "A ciência propriamente dita, como ciência, é incompetente para se pronunciar sobre a questão do Espiritismo: não lhe cabe ocupar-se do assunto e seu pronunciamento a respeito, qualquer que seja, favorável ou não, nenhum peso teria."

Não obstante, Kardec insiste no caráter científico da doutrina. Caráter próprio, como ele explica nos capítulos citados, pois se trata de uma ciência que deve ter os seus próprios métodos, uma vez que o seu objeto não é a matéria, mas o espírito.

Por que essa insistência no caráter científico? Porque "O Livro dos Espíritos" vem abrir uma nova era no estudo dos problemas espirituais. Até a sua publicação, esses problemas eram tratados de maneira empírica ou apenas imaginosa. As religiões, com seus intrincados sistemas teológicos, ou as ordens ocultas, as corporações místicas e teosóficas, deslocavam os problemas do espírito para o terreno do mistério. O conhecimento humano se dividia, para nos servirmos das expressões de Santo Agostinho, na "iluminação divina" e na "experiência".

O Espiritismo veio modificar essa ordem de coisas, mostrando a possibilidade de encararmos os problemas espirituais através da experiência agostiniana, ou seja, através da mesma razão que aplicamos aos problemas materiais. Nesse sentido, "O Livro dos Espíritos" se apresenta como um divisor de águas. Tudo aquilo que, antes dele, constitui o espiritualismo, pode ser chamado "espiritualismo utópico", e tudo o que vem com ele e depois dele, seguindo a sua linha doutrinária, "espiritualismo científico", como fazem os marxistas com o socialismo de antes e depois de Marx.

Esta a posição especial de "O Livro dos Espíritos", no plano da cultura espiritual.

Com ele, o espírito e os seus problemas sairam do terreno da abstração, para se tornarem acessíveis à investigação racional, e até mesmo à pesquisa experimental. O sobrenatural tornou-se natural. Tudo se reduziu a uma questão de conhecimento das leis que regem o universo.

A tese espinosiana da impossibilidade do milagre, como violação da ordem natural, veio comprovar-se nas suas demonstrações. E as leis dessa ordem, como vemos no capítulo primeiro do Livro III, são todas naturais, quer digam respeito às relações materiais, quer às espirituais e morais. Não existe o sobrenatural, senão para a ignorância humana das leis naturais, uma vez que o universo é um sistema único, e todas as suas partes se entrosam na grande estrutura.

O Problema Religioso

A natureza religiosa de "O Livro dos Espíritos", ressalta desde as suas primeiras páginas. Como já vimos, Kardec o inicia pela definição de Deus. Mas o Deus espírita não é antropomórfico, não é um ser constituído à imagem e semelhança do homem, como o das religiões. A definição espírita é incisiva: "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas."

Assim como, para Espinosa, Deus é a substância infinita, para Kardec é a inteligência infinita. Mas assim como erraram os que confundiram a substância espinosiana com o Universo, assim também se enganam os que confundem a inteligência infinita com o homem finito, e a religião espírita com os formalismos religiosos.

Os atributos de Deus não se confundem com os precários atributos humanos: ele é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. Deus não se confunde com o Universo, pois é o criador e o mantenedor do Universo. Entretanto, ao tratar da justiça de Deus, vemos Kardec empregar uma terminologia antropomórfica, falando em castigos e recompensas, o que tem dado motivo a afirmar-se que o Deus espírita é semelhante ao das religiões.

A explicação desse fato, que à primeira vista parece contraditório, está na questão décima: "O homem pode compreender a natureza íntima de Deus? — Não. Falta-lhe, para tanto, um sentido". E logo a seguir vem a explicação de Kardec a respeito. Mais adiante, no item treze, encontramos a resposta de que os atributos de Deus, a que nos referimos acima, são apenas uma interpretação humana, aquilo que o homem pode conceber a respeito de Deus, no seu estágio atual de evolução. Kardec, portanto, emprega a linguagem que podemos empregar, de maneira compreensiva, para tratar de Deus. Não humaniza a Deus, mas apenas o coloca ao alcance da compreensão humana.

Não obstante, a natureza suprema de Deus, como inteligência infinita e causa primária, é sempre resguardada. Vemos isso em todo o primeiro capítulo e em muitas outras passagens do livro. No capítulo sobre o Panteísmo, qualquer confusão entre o Criador e a Criação foi afastada. O Deus espírita não é antropomórfico, mas também não é panteísta. Por outro lado, "O Livro dos Espíritos" veda imediatamente o caminho às especulações ilusórias e imaginosas sobre a natureza de Deus.

Uma vez que falta ao homem o meio de compreendê-lo, inútil será tentar a sua definição através de suposições ingênuas ou atrevidas. É o que vemos no item 14º do rimeiro capítulo, no estabelecimento de um princípio que define de maneira absoluta a posição do Espiritismo em face do problema, separando-o decisivamente de todas as escolas de teologia especulativa ou de ocultismo de qualquer espécie. Vejamos esse trecho fundamental, podendo o leitor encontrá-lo no lugar próprio deste volume: "Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é o essencial. Acreditai no que vos digo e não queirais ir além. Não vos percais num labirinto, de onde não podereis sair. Isso não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, pois, de lado, todos esses sistemas; tendes que vos desembaraçar de muitas coisas que vos tocam mais diretamente. Isto vos será mais útil do que querer penetrar o que é impenetrável".

Deus, como inteligência infinita ou suprema, é o que é. Não comporta especulações ociosas, definições imaginosas. O homem deve conter-se nos limites de si mesmo, cuidar das suas imperfeições, melhorar-se. Basta-lhe saber que Deus existe, e que é justo e bom. Disso ele não pode duvidar, porque "pela obra se reconhece o obreiro", a própria natureza atesta a existência de Deus, sua própria consciência lhe diz que ele existe, e a lei geral da evolução comprova a sua justiça e a sua bondade. Descartes dizia que Deus está na consciência do homem como a marca do obreiro na sua obra. Os Espíritos confirmam esse princípio, mas vão além, mostrando que a marca do obreiro está em todas as coisas, na natureza inteira. A negação de Deus é, para o Espiritismo, como a negação do Sol. O ateu, o descrente, não é um condenado, um pecador irremissível, mas um cego, cujos olhos podem ser abertos, e realmente o serão. Porque Deus é necessariamente existente, segundo o princípio cartesiano. Nada se pode entender sem Deus. Ele é o centro e a razão de ser de tudo quanto existe. Tirar Deus do Universo é como tirar o Sol do nosso sistema. Simples absurdo.

Mas, pelo fato de não ter a forma humana, de não se assemelhar ao homem, no tocante à constituição física deste, não se segue que Deus esteja distante do homem e indiferente a ele. O Deus espírita se assemelha ao aristotélico, pelo seu poder de atração, mas se afasta dele, quanto à indiferença em relação ao cosmos. Porque Deus é providência, Deus é amor, é o criador e o pai de tudo e de todos.

O Universo se define por uma tríade, semelhante às tríades druídicas: Deus, espírito e matéria. Vemos isso no item 27, quando Kardec pergunta se existem dois elementos gerais, o espírito e a matéria, e os Espíritos respondem: "Sim, e acima de ambos, Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal". A matéria, porém, não é só o elemento palpável, pois há nela o fluido universal, o seu lado fluídico, que desempenha o papel de intermediário entre o plano espiritual e o propriamente material.

Diante dessa concepção, surge um problema de ordem teológica e escriturística. Se Deus não se assemelha ao homem, como entender-se a passagem bíblica segundo a qual ele criou o homem à sua imagem e semelhança? A explicação vem no item 88, quando Kardec pergunta pela forma do Espírito, não daquele que ainda está revestido do corpo espiritual ou perispírito, mas do Espírito puro.

Vejamos a pergunta e a resposta no original: "Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante? — Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim. Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea". Como se vê, o homem, na sua essência, — naquilo unicamente em que ele pode assemelhar-se a Deus: — não é um animal de carne e osso, nem mesmo uma forma humana em corpo espiritual, mas uma centelha etérea. Foi assim que Deus o fez à sua imagem e semelhança.

Colocando o problema fundamental de Deus e da criação, "O Livro dos Espíritos" entra pelo controvertido terreno da destinação humana. Sua concepção deísta do Universo é necessariamente teológica. Tudo avança para Deus, do átomo ao arcanjo, como vimos no item 540, e à frente dessa marcha, no plano terreno, encontra-se o homem. Vêmo-lo numa escala evolutiva, na terra como no espaço: do imbecil ao sábio, do criminoso ao santo.

A "escala espírita", que começa no item 100, nos oferece uma visão esquemática dessa escada de Jacó, que vai da terra ao céu. O estudo da "progressão dos espíritos" que começa no item 114, nos mostra a necessidade do esforço próprio para que o Espírito se realize a si mesmo, revelando-nos ao mesmo tempo o papel da Providência, sempre amorosamente voltada para as criaturas. No estudo sobre "anjos e demônios", que se inicia no item 128, defrontamo-nos com um debate teórico sobre passagens evangélicas. O problema da justiça de Deus é equacionado à luz dos ensinos de Cristo, no seu verdadeiro sentido.

A seguir, "O Livro dos Espíritos" trata da encarnação dos Espíritos e da finalidade da vida terrena. Combate o materialismo, mostrando a sua inconsistência. Não são os estudos que levam o homem a ele, não é o desenvolvimento do conhecimento que o torna materialista, mas apenas a sua vaidade. É o que vemos no item 148: "Não é verdade que o materialismo seja uma conseqüência desses estudos. É o homem que deles tira uma falsa conseqüência, pois ele pode abusar de tudo, mesmo das melhores coisas".

Kardec corrobora a tese dos Espíritos: o materialismo é uma aberração da inteligência. É o que nos diz no início do seu comentário: "Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não vêem nos seres orgânicos nada mais que a ação da matéria, e a esta atribuem todos os nossos atos".

E assim prossegue o livro, todo ele impulsionado pelo sopro do espírito, impregnado pelo sentimento religioso, e mais particularmente, pelo sentido cristão desse sentimento. Quando, no item 625, Kardec pergunta qual o tipo humano mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modelo, a resposta é incisiva: "Vede Jesus". E Kardec comenta: "Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra".

A religião espírita se traduz em espírito e verdade. O que interessa a Deus não é a precária exterioridade dos ritos e do culto convencional, quase sempre vazio: é o pensamento e o sentimento do homem. A adoração da divindade é uma lei natural, tanto quanto a lei de gravidade. O homem gravita para Deus como a pedra gravita para a Terra e esta para o Sol. Mas as manifestações exteriores da adoração não são necessárias.

No item 653 vemos a clara resposta dos Espíritos a respeito: "A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações, pensai sempre que o Senhor vos observa". A vida contemplativa é condenada, porque inútil, assim também a monacal, pois Deus não quer o cultivo egoísta do sentimento religioso, mas a prática da caridade, a experiência viva e constante do amor, através das relações humanas.

"O Livro dos Espíritos" não deixa de lado o problema do culto religioso, que necessita manifestar a sua religiosidade: essa manifestação se verifica nas formas naturais de adoração, uma das quais é a prece. Pela prece o homem pensa em Deus, aproxima-se dele, põe-se em comunicação com ele. É o que vemos a partir do item 658. Pela prece, o homem pode evoluir mais depressa, elevar-se mais rapidamente sobre si mesmo. Mas a prece também não pode ser apenas formal. Por ela, podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer a Deus, mas desde que o façamos com o coração, e não apenas com os lábios.

Temos assim a religião espírita, que mais tarde se definirá de maneira mais objetiva ou direta em "O Evangelho segundo o Espiritismo". Uma religião psíquica, como a chamou Conan Doyle, equivalente à "religião dinâmica" de Bergson. No capítulo V da "Conclusão" Kardec afirma: "O Espiritismo é forte porque se apóia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e recompensas futuras, e porque sobretudo mostra essas penas e recompensas como conseqüências naturais da vida terrena, oferecendo um quadro do futuro em que nada pode ser contestado pela mais exigente razão". Enfim: religião positiva, baseada nas leis naturais, destituída de aparatos misteriosos e de teologia imaginosa.

Para completar o quadro religioso de "O Livro dos Espíritos" temos ainda o capítulo XII do Livro III e todo o Livro IV. No capítulo referido, Kardec trata do aperfeiçoamento moral do homem, encara os problemas referentes às virtudes e aos vícios, às paixões, ao egoísmo, define por fim o caráter do homem de bem e conclui com uma mensagem de Santo Agostinho sobre a maneira de nos conhecermos a nós mesmos. No Livro IV temos um capítulo sobre as penas e gozos terrenos, que é um código da vida moral na Terra, verdadeiro catecismo da conduta espírita, e um capítulo sobre as penas e gozos futuros, sobre as conseqüências espirituais do nosso comportamento terreno.

Estudos Futuros

Este, em linhas gerais, o livro que a 18 de abril deste ano(*) completou cem anos, e cujo primeiro centenário foi celebrado em todo o mundo civilizado, pelos adeptos do Espiritismo. Sua estrutura, como se vê, o coloca entre os tratados filosóficos, e seu conteúdo se relaciona com todos os aspectos fundamentais do conhecimento. Sua simplicidade aparente é tão ilusória como a da superfície tranqüila de um grande rio.

Como no "Discurso do Método" de Descartes, a clareza do texto pode enganar o leitor desprevenido. As coisas mais profundas e complexas aparecem na linguagem mais direta e simples, e a compreensão geral do livro só pode ser alcançada por aquele que for capaz de apreender todos os nexos entre os diversos assuntos nele tratados.

Até hoje, cem anos depois de sua publicação, "O Livro dos Espíritos" vem sendo lido e meditado, no mundo inteiro, mas pouco se tem cuidado de analisá-lo em suas múltiplas implicações e em sua mais profunda significação. Acreditamos que o segundo século do Espiritismo, que se iniciou neste ano, será assinalado por uma atitude mais consciente dos próprios espíritas em face deste livro, e que estudos futuros virão revelar, cada vez de maneira mais clara, o seu verdadeiro papel na história do conhecimento.

Para concluir, lembremos que sir Oliver Lodge, o grande físico inglês, uma das mais altas expressões de cultura científica do nosso tempo, considerou o Espiritismo, no seu livro sobre "A imortalidade pessoal" como "uma nova revolução copérnica". E Leon Denis, o sucessor de Kardec, legítima expressão da cultura francesa, proclamou no Congresso Espírita Internacional de Paris, em 1925, e no seu livro "Le Genie Celtique et le Monde Invisible" de 1927, que o Espiritismo tende a reunir e a fundir, numa síntese grandiosa, todas as formas do pensamento e da ciência. >>

J. Herculano Pires

(*)Esta introdução foi redigida pelo tradutor por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário de "O Livro dos Espíritos', em 18 de abril de 1957. (Nota da Editora)

LAKE - Livraria Allan Kardec Editora


O Que é o Espiritismo - Prefácio de J Herculano Pires

O Que é o Espiritismo

“Este volume de Allan Kardec apresenta-nos o texto de uma obra de iniciação à Doutrina. Muitos espíritas pensam que estes pequenos livros introdutórios não têm mais nenhum interesse. É uma ideia falsa, resultante da falta de estudo metódico e, portanto, sério do Espiritismo. Nenhum estudante consciencioso endossa esta opinião. Pelo contrário, todos compreendem o valor permanente destas páginas iniciáticas, que até mesmo os maiores conhecedores do assunto devem reler e consultar periodicamente.

O Espiritismo é ainda tão mal conhecido e compreendido — mesmo dos que mais o estudam e mais falam e escrevem a respeito — que estes pequenos trabalhos de Kardec, justamente por sua simplicidade e seu caráter de síntese, oferecem aos mais "velhos" espíritas a possibilidade de perceberem novas perspectivas e surpreendentes aspectos da Doutrina.

"O Que é o Espiritismo", escrito e publicado por Kardec em 1859, é um pequeno livro introdutório ao estudo da Doutrina, que não se inclui propriamente na codificação, mas que está diretamente relacionado com "O Livro dos Espíritos", editado em 1857, decorrendo da "Introdução" e dos "Prolegômenos". Isso demonstra que Kardec, depois da divulgação de "O Livro dos Espíritos", pedra fundamental e marco inicial da codificação, sentiu a necessidade de oferecer aos interessados um roteiro inicial bem resumido e simples.

Ninguém se iluda, porém, com essa simplicidade aparente. Mesmo nesta cartilha espírita muitos veteranos terão o que aprender. Por outro lado, é inegável a importância didática dessas súmulas, que servem ao mesmo tempo para avivar a memória, reajustar a visão global do assunto e não raro chamar a atenção do estudante, do professor e mesmo do mais profundo conhecedor para certos problemas que escaparam a uma apreciação acurada. Kardec sempre insistiu na necessidade de estudo assíduo, metódico e incessante do Espiritismo. E quanto mais seguimos o seu conselho mais compreendemos a sua razão.

Resta acentuar a importância destes livros de iniciação no tocante ao aspecto metodológico do ensino espírita. Com eles Kardec inaugurou no Espiritismo uma disciplina hoje indispensável em todas as escolas de estudos superiores de Ciência, Filosofia, Religião, Artes e Técnicas: a Introdução. Com seu agudo senso de professor, formado na escola pestaloziana e orientado pela disciplina e o rigor lógico do pensamento francês, Kardec imprimiu a forma decisiva a essa disciplina no campo do conhecimento espírita. Por mais que se queira hoje escrever novos trabalhos de introdução à Doutrina, o que é evidentemente necessário, não se pode relegar ao passado nem simplesmente esquecer o que estes livros oferecem. Temos sempre que partir das suas premissas e de lembrar aos interessados a conveniência (e mais do que isso: a absoluta necessidade) de lerem e estudarem essas obras do Mestre. Porque, no passado e no presente, ninguém ainda surgiu no mundo com maior capacidade e mais profunda compreensão do Espiritismo do que o autor desta obra.

Todos podem dar a sua contribuição à obra de divulgação do Espiritismo em nosso tempo, dentro de suas possibilidades de experiência e conhecimento. Todos podem ajudar as novas gerações a encontrar as relações das novas conquistas da cultura com os princípios espíritas ou, de outro lado, a encontrarem as antecipações dessas conquistas no Espiritismo. Mas ninguém tem condições intelectuais e espirituais para superar Kardec — simplesmente pelo fato de que Kardec não é um autor isolado, um solitário do pensamento, mas o Codificador, assessorado na Terra pêlos companheiros de missão e assistido do além pêlos espíritos do Senhor. A obra que nos deixou não é dele, como ele mesmo sempre o afirmou, mas dos seus mestres espirituais. A Doutrina que nos legou não é o Kardecismo, mas o Espiritismo, ou seja, a Doutrina dos Espíritos.

Os livros de iniciação não escapam a essa condição. Foram escritos por Kardec, não há dúvida, mas sob a orientação dos Espíritos, que não se interessavam somente pelo momento em que o Espiritismo surgia, mas principalmente pelo futuro da Humanidade, pelo desenvolvimento geral da cultura em nosso mundo. O Espiritismo marcou um momento de transição da Terra para o plano superior e veio fundamentar essa fase. Não é obra de um século, mas a abertura de um novo ciclo na evolução dos séculos futuros.”

J. Herculano Pires
In: O Que é o Espiritismo, LAKE - Livraria Allan Kardec Editora

O Mestre e Seu Apóstolo (estudo 2) - As Obras de O Espírito de Verdade & Kardec


MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:15 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Temática: O Mestre e Seu Apóstolo - parte 2

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I. Allan Kardec era portador de superdotação intelectual, aliada ao um gigantismo em estatura moral, por tal razão, dentre tantos "candidatos" ao ministério da Terceira Revelação de Deus, fora ele o escolhido para essa elavadíssima missão;

II. Allan Kardec sempre estivera assessorado pelos grandes benfeitores da humanidade - como Sócrates, Platão, Paulo de Tarso, João Evangelista, Erasto, Lammenais, Luis de França, Agostinho de Hipona, Vicente de Paulo e incontáveis outros, sem contudo, se deixar impressionar pela venerabilidade desses nomes, mas ao contrário, sempre submetendo todos os escritos ao controle das ciências e da Concordância Universal do Ensino dos Espíritos;

III. O Guia Espíritual de Rivail/Kardec - em virtude da responsabilidade de sua missão, da afinidade de largos séculos e da sua estatura moral - era o próprio Espírito de verdade, que o protegia, orientava e conduzia intensamente;

IV. As Obras espíritas (mais de trinta publicadas no século 19, sendo 28 traduzidas para o português atualmente) devem ser consideradas como tendo sido escritas pelo próprio Espírito de Verdade, por conseguinte, apresentam a mais excelente exegese e hermenêutica para as Sagradas Escrituras, especialmente para o Novo Testamento;

V. À semelhança do Novo Testamento, as obras Kardecianas (que são obras do próprio Cristo) são atemporais. Como tal, foram atualizadíssimas no século 19, estão atualizadíssimas no presente, e também o serão no futuro. Leiamo-las, pois, agora e sempre.

VI. O MESTRE E O APÓSTOLO

AS OBRAS DO CRISTO

VI.1 OBRAS BÁSICAS

a. O Principiante Espírita:

b. O que é o Espiritismo (1859):

c. Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas (1858)- contém o “Definições Espíritas”:

d. O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples – 1862 - (acrescido dos livros Caráter da Revelação Espírita e Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita):

e. Viagem Espírita de 1862 (e viagens de outros anos):

f. Refutação das Críticas Contra O Espiritismo:

g. Resumo das Leis e dos Fenômenos Espíritas (1864):

h. Resposta à Mensagem dos Espíritas Lioneses por Ocasião do Ano Novo – 1862

i. Coleção de Composições Inéditas - 1865

j.Estudo Acerca da Poesia Medianímica – 1867

VI.2 . OBRAS FUNDAMENTAIS

a. 1857 - O Livro dos Espíritos (J Herculano Pires)

b. 1861 - O Livro dos Médiuns (J Herculano Pires)

c. 1864 - O Evangelho Segundo O Espiritismo (J Herculano Pires)

d. 1865  - O Céu e o Inferno (J Herculano Pires)

e. 1868 - A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o espiritismo (CELD)

O Mestre e Seu Apóstolo



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Lc 4:15 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Temática: O Espírito de Verdade e Seu Apóstolo


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O Mestre e Seu apóstolo

“ Jesus é a Porta, Kardec é a chave”.

I) Um Espírito Puro pode comunicar-se com os homens? Vide em A Gênese:

"[...] os espíritos da categoria mais elevada podem manifestar-se aos habitantes da Terra, ou encarnar em missão entre estes".

Allan Kardec, A Gênese. Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 2. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Cap. XIV, item 9, p. 303.

II) [...] “Meus bem-amados, eis chegados os tempos em que os erros, explicados, se tornarão verdades; nós vos ensinaremos o sentido exato das parábolas, e vos mostraremos a correlação poderosa que une o que foi ao que é.

Em verdade, vos digo: a manifestação espírita vai crescer no horizonte, e eis aqui o seu enviado (Allan Kardec) que vai resplandecer como o Sol sobre o cume das montanhas."

João Evangelista. Paris, 1863.

O Evangelho Segundo O Espiritismo, Capítulo VIII, item 18.

III) “Eu estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para um dia vos lançardes, livres e felizes, no seio daquele que vos criou frágeis, para vos tornar perfectíveis, e deseja que modeleis, vós mesmos, a vossa própria argila, a fim de serdes os artesãos da vossa imortalidade.”

O Espírito de Verdade. Paris, 1861.

O Evangelho Segundo O Espiritismo, cap. VI, item 6.

IV) Na nota, escrita anos depois, um Kardec agradecido e admirado assegura: “Nota: — A proteção deste espírito (Espírito de Verdade), cuja superioridade eu estava, então, longe de imaginar, de fato, jamais me faltou. Sua solicitude e a dos bons espíritos sob suas ordens, estendem-se sobre todas as circunstâncias da minha vida, seja por me facilitar nas dificuldades materiais, seja por me facilitar na execução dos meus trabalhos, seja, enfim, por preservar-me dos efeitos da malevolência dos meus antagonistas, sempre reduzidos à impotência. Se as tribulações inerentes à missão que eu devia desempenhar não me puderam ser evitadas, foram sempre suavizadas e largamente compensadas por satisfações morais muito gratas.”

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Segunda parte, p. 276.

V) "Acaba a tua obra e conta com a proteção do teu Guia, Guia de todos nós" (‘Obras Póstumas', pág. 307, FEB).

"Conta conosco e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que te protege de modo muito particular (...) e mostra a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo".

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Segunda parte, p. 308.

VI) O Guia Espiritual de Allan Kardec

9 de abril de 1856 - (Em casa do Sr. Baudin; médium: Srta. Baudin)

Pergunta (à Verdade) — Criticaste outro dia o trabalho que eu havia feito e tiveste razão. Reli-o e encontrei na 30ª linha um erro contra o qual protestaste por meio das pancadas que me fizeste ouvir. Isso me levou a descobrir outros defeitos e a refazer o trabalho. Estás agora satisfeito?

Resposta — Acho-o melhor, mas aconselho-te que esperes um mês para divulgá-lo.

P. — Que queres dizer, falando em divulgá-lo? Não tenho, bem sabes, a intenção de publicá-lo já, se é que o haja de Publicar.

R. — Quero dizer: mostrá-lo a terceiros. Busca um pretexto para recusar isso aos que te pedirem para vê-lo. Daqui até lá melhorarás o trabalho. Faço-te esta recomendação para te poupar à crítica; precato o teu amor-próprio.

P. — Disseste que serás para mim um guia, que me ajudará e protegerá. Compreendo essa proteção e o seu objetivo, dentro de certa ordem de coisas; mas, poderias dizer-me se essa proteção também alcança as coisas materiais da vida?

R. — Nesse mundo, a vida material é muito de ter-se em conta; não te ajudar a viver seria não te amar.

VII) Conclusões

As conclusões - lógicas e inequívocas - diante das robustas referências acima são:

- Allan Kardec era portador de superdotação intelectual, aliada ao um gigantismo em estatura moral, por tal razão, dentre tantos "candidatos" ao ministério da Terceira Revelação de Deus, fora ele o escolhido para essa elavadíssima missão;

-Allan Kardec sempre estivera assessorado pelos grandes benfeitores da humanidade - como Sócrates, Platão, Paulo de Tarso, João Evangelista, Erasto, Lammenais, Luis de França, Agostinho de Hipona, Vicente de Paulo e incontáveis outros, sem contudo, se deixar impressionar pela venerabilidade desses nomes, mas ao contrário, sempre submetendo todos os escritos ao controle das ciências e da Concordância Universal do Ensino dos Espíritos;

- O Guia Espíritual de Rivail/Kardec - em virtude da responsabilidade de sua missão, da afinidade de largos séculos e da sua estatura moral - era o próprio Espírito de verdade, que o protegia, orientava e conduzia intensamente;

- As Obras espíritas (mais de trinta publicadas no século 19, sendo 28 traduzidas para o português atualmente) devem ser consideradas como tendo sido escritas pelo próprio Espírito de Verdade, por conseguinte, apresentam a mais excelente exegese e hermenêutica para as Sagradas Escrituras, especialmente para o Novo Testamento;

- À semelhança do Novo Testamento, as obras Kardecianas (que são obras do próprio Cristo) são atemporais. Como tal, foram atualizadíssimas no século 19, estão atualizadíssimas no presente, e também o serão no futuro. Leiamo-las, pois, agora e sempre.

Amor à Profissão: aprendendo com Jesus

Amor à Profissão: Aprendendo com Jesus.


Artigo publicado na REVISTA REFORMADOR, da Federação Espírita Brasileira, ano 129, n. 2193, dezembro de 2011, p. 29-31.

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O Espírito de Verdade é O Próprio Cristo - parte 2 (Programa dos dias 08 a 18 de janeiro de 2012)


MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:15 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Temática: O Espírito de Verdade é o próprio Cristo - parte 2

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Quem é o Espírito de Verdade, parte 2

Introdução

Nas Epístolas Paulinas aos Romanos, Coríntios, e Gálatas Paulo faz uma identificação de O Espírito com o próprio Mestre, através de expressões como “Espírito de Cristo” e “Espírito de Deus”, chegando, de forma explícita, a afirmar em II Cor 3:17 que “Pois o Senhor é o Espírito, e onde se acha o Espírito do Senhor aí está a liberdade”. Vejamos:

# II CORÍNTIOS – Cap. 3:15-17

“Sim; até hoje, todas as vezes que lêem Moisés, um véu está sobre o seu coração. É somente pela conversão ao Senhor que o véu cai. Pois o Senhor é O Espírito, e onde se acha o Espírito do Senhor aí está a liberdade.”

# REVISTA ESPÍRITA Jul 1866

[...] “A qualificação de Espírito de verdade não pertence senão a um só, e pode ser considerada como nome próprio; está especificada no Evangelho. Aliás, esse Espírito se comunica raramente e apenas em circunstâncias especiais. Devemos pôr-nos em guarda contra os que se adornam indevidamente com esse título: são fáceis de reconhecer, pela prolixidade e pela vulgaridade de sua linguagem.”

Allan Kardec, Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos, JULHO DE 1866. Pág.298-9

VI.1) REVISTA ESPÍRTA

[...]“Um novo livro acaba de aparecer; é uma luz mais brilhante que vem clarear a vossa marcha. Há dezoito séculos vim, por ordem de Meu Pai”. [...]

O Espírito de Verdade

(Revista Espírita. Dezembro de 1864. Comunicação Espírita.)

VI.2) [...] “Não podeis acreditar quanto nos é doce e agradável presidir ao vosso banquete, onde o rico e o artesão se acotovelam, brindando à fraternidade; onde o judeu, o católico e o protestante podem sentar-se à mesma comunhão pascal. Não podeis imaginar quanto me sinto orgulhoso de distribuir a cada um de vós os elogios e o encorajamento que o Espírito de Verdade, nosso bem-amado Mestre, ordenou-me conferisse às vossas piedosas coortes.”[...]

Erasto, discípulo de Paulo

KARDEC, Allan: “Epístola de Erasto aos Espíritas Lioneses”. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano IV, Outubro de 1861. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 442.

VI.3) Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo, a verdadeira conquista de um futuro próximo. Marchai, pois, imperturbavelmente em vossa estrada, sem vos preocupar com as zombarias de uns e o amor-próprio ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do Espírito de Verdade, meu e vosso mestre.

Erasto, discípulo de Paulo

KARDEC, Allan: O Futuro do Espiritismo. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano XI, fevereiro de 1868. Tradução Evandro Noleto Bezerra: FEB, 2005; p. 82.

VI.4) A Gênese , I, 41:

“O Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento da regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador”.

VI.5) O Livro dos Médiuns, XXXI, II.

“O próprio Cristo preside aos trabalhos, de toda sorte que se acham em via de execução para vos abrirem a era de renovação e de aperfeiçoamento que os vossos guias espirituais vos predizem”. Chateaubriand (espírito)

VI.6) [...]“Essas obsessões freqüentes terão, também, um lado muito bom, porque, penetrado pela prece e pela força moral, é possível fazê-las cessar e adquirir o direito de expulsar os Espíritos maus e, pelo melhoramento de sua conduta, cada um buscará adquirir o direito que o Espírito de Verdade, que dirige este globo, conferirá quando for merecido.

Tende fé e confiança em Deus, que não permite que se sofra inutilmente e sem motivo.” [...]

Hahnemann (Médium: Sr. Albert)

(Revista Espírita. Janeiro de 1864. Um caso de possessão.)

VI.7) Livro MISSIONÁRIOS DA LUZ

André Luiz/ Francisco Cândido Xavier; 23.ª Edição – FEB; Capítulo “Mediunidade e Fenômeno”, pág 99.

(...)“mediunidade – prosseguiu ele*, arrebatando-nos o coração – constitui ‘meio de comunicação’, e o próprio Jesus nos afirma: ‘Eu Sou a porta’...se alguém entrar por Mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens’! Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor?”

*Obs: Alexandre, Mentor Espiritual.

VI.8) O Livro dos Médiuns, Capítulo IV

48. Sistema unispírita ou monoespírita.

Obs.: Nesse item Allan Kardec refuta o sistema mono-espírito, e utiliza como sinônimos os nomes Jesus, Cristo, Espírito Santo e Espírito da Verdade.

“48. Sistema unispírita ou monoespírita. Uma variedade do sistema otimista consiste na crença de que um único Espírito comunica-se com os homens e que este Espírito é o Cristo, que é o protetor da Terra. Quando se veem comunicações da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, impregnadas de malevolência e de maldade, haveria profanação e impiedade em supor que elas pudessem emanar do Espírito do bem por excelência. Mais ainda, se aqueles que assim o creem nunca tivessem obtido senão comunicações irrepreensíveis, conceber-se-ia sua ilusão; a maioria, porém, concorda ter recebido algumas muito ruins. Eles o explicam, dizendo que se trata de uma prova que o bom Espírito os faz experimentar, ditando-lhes coisas absurdas; assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao diabo, que pode dizer boas coisas, para tentar, outros pensam que unicamente Jesus se manifesta e que ele pode dizer coisas ruins, para experimentar os homens. Entre estas duas opiniões tão opostas, quem se pronunciará? O bom-senso e a experiência.

Dizemos a experiência, porque é impossível que aqueles que professam ideias tão exclusivas tenham visto tudo e bem visto. Quando se lhes apresentam os fatos de identidade que atestam a presença de pais, amigos ou conhecidos, através das manifestações escritas, visuais, ou outras, eles respondem que é sempre o mesmo Espírito: o diabo, segundo uns; o Cristo, segundo outros, que toma todas as formas. Mas, não nos dizem por que os outros Espíritos não podem comunicar-se; com que objetivo o Espírito de Verdade viria nos enganar, apresentando-se sob falsas aparências; iludir uma pobre mãe, fazendo-a acreditar, mentirosamente, que ali está o filho por quem chora. Enfim: a razão se recusa a admitir que o Espírito Santo se rebaixe, para representar semelhante farsa. Aliás, negar a possibilidade de qualquer outra comunicação, não será tirar do Espiritismo o que ele tem de mais suave: a consolação dos aflitos? Digamos, simplesmente, que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.” Allan Kardec.

O Mestre e Seu apóstolo

“ Jesus é a Porta, Kardec é a chave”.

I)            Um Espírito Puro pode comunicar-se com os homens? Vide em A Gênese:

"[...] os espíritos da categoria mais elevada podem manifestar-se aos habitantes da Terra, ou encarnar em missão entre estes".

Allan Kardec, A Gênese. Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 2. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Cap. XIV, item 9, p. 303.

II)   [...] “Meus bem-amados, eis chegados os tempos em que os erros, explicados, se tornarão verdades; nós vos ensinaremos o sentido exato das parábolas, e vos mostraremos a correlação poderosa que une o que foi ao que é.

Em verdade, vos digo: a manifestação espírita vai crescer no horizonte, e eis aqui o seu enviado (Allan Kardec) que vai resplandecer como o Sol sobre o cume das montanhas."

João Evangelista. Paris, 1863.

O Evangelho Segundo O Espiritismo, Capítulo  VIII, item 18.

III)     “Eu estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para um dia vos lançardes, livres e felizes, no seio daquele que vos criou frágeis, para vos tornar perfectíveis, e deseja que modeleis, vós mesmos, a vossa própria argila, a fim de serdes os artesãos da vossa imortalidade.”

O Espírito de Verdade. Paris, 1861.

O Evangelho Segundo O Espiritismo, cap. VI, item 6.

IV) Na nota, escrita anos depois, um Kardec agradecido e admirado assegura: “Nota: — A proteção deste espírito (Espírito de Verdade), cuja superioridade eu estava, então, longe de imaginar, de fato, jamais me faltou. Sua solicitude e a dos bons espíritos sob suas ordens, estendem-se sobre todas as circunstâncias da minha vida, seja por me facilitar nas dificuldades materiais, seja por me facilitar na execução dos meus trabalhos, seja, enfim, por preservar-me dos efeitos da malevolência dos meus antagonistas, sempre reduzidos à impotência. Se as tribulações inerentes à missão que eu devia desempenhar não me puderam ser evitadas, foram sempre suavizadas e largamente compensadas por satisfações morais muito gratas.”

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Segunda parte, p. 276.

V)  "Acaba a tua obra e conta com a proteção do teu Guia, Guia de todos nós" (‘Obras Póstumas', pág. 307, FEB).

"Conta conosco e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que te protege de modo muito particular (...) e mostra a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo".

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 33. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Segunda parte, p. 308.

VI)           O Guia Espiritual de Allan Kardec

9 de abril de 1856 - (Em casa do Sr. Baudin; médium: Srta. Baudin)

Pergunta (à Verdade) — Criticaste outro dia o trabalho que eu havia feito e tiveste razão. Reli-o e encontrei na 30ª linha um erro contra o qual protestaste por meio das pancadas que me fizeste ouvir. Isso me levou a descobrir outros defeitos e a refazer o trabalho. Estás agora satisfeito?

Resposta — Acho-o melhor, mas aconselho-te que esperes um mês para divulgá-lo.

P. — Que queres dizer, falando em divulgá-lo? Não tenho, bem sabes, a intenção de publicá-lo já, se é que o haja de Publicar.

R. — Quero dizer: mostrá-lo a terceiros. Busca um pretexto  para recusar isso aos que te pedirem para vê-lo. Daqui até lá melhorarás o trabalho. Faço-te esta recomendação para te poupar à crítica; precato o teu amor-próprio.

P. — Disseste que serás para mim um guia, que me ajudará  e protegerá. Compreendo essa proteção e o seu objetivo, dentro de certa ordem de coisas; mas, poderias dizer-me se essa proteção também alcança as coisas materiais da vida?

R. — Nesse mundo, a vida material é muito de ter-se em conta; não te ajudar a viver seria não te amar.

VII) Conclusões

As conclusões - lógicas e inequívocas - diante das robustas referências acima são:

- Allan Kardec era portador de superdotação intelectual, aliada ao um gigantismo em estatura moral, por tal razão, dentre tantos "candidatos" ao ministério da Terceira Revelação de Deus, fora ele o escolhido para essa elavadíssima missão;

-Allan Kardec sempre estivera assessorado pelos grandes benfeitores da humanidade  - como Sócrates, Platão, Paulo de Tarso, João Evangelista, Erasto, Lammenais, Luis de França, Agostinho de Hipona, Vicente de Paulo e incontáveis outros, sem contudo, se deixar impressionar pela venerabilidade desses nomes, mas ao contrário, sempre submetendo todos os escritos ao controle das ciências e da Concordância Universal do Ensino dos Espíritos;

- O Guia Espíritual de Rivail/Kardec - em virtude da responsabilidade de sua missão, da afinidade de largos séculos e da sua estatura moral - era o próprio Espírito de verdade, que o protegia, orientava e conduzia intensamente;

- As Obras espíritas (mais de trinta publicadas no século 19, sendo 28 traduzidas para o português atualmente) devem ser consideradas como tendo sido escritas pelo próprio Espírito de Verdade, por conseguinte, apresentam a mais excelente exegese e hermenêutica para as Sagradas Escrituras, especialmente para o Novo Testamento;

- À semelhança do Novo Testamento, as obras Kardecianas (que são obras do próprio Cristo) são atemporais. Como tal, foram atualizadíssimas no século 19, estão atualizadíssimas no presente, e também o serão no futuro. Leiamo-las, pois, agora e sempre.

ENCICLOPÉDIA DA BÍBLIA, organizada por John Drane


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Bons estudos, fraternal abraço, Fabiano


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