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A Fama de Jesus - O Evangelho segundo Lucas cap. 4 vers. 14


Temática do programa: "e Sua fama espalhou-se por toda a região". A Fama de Jesus.

BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo Lucas 4:14-30 p. 1794-5

Jesus inaugura sua pregação

14Jesus voltou então para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

15Ensinava em suas sinagogas e era glorificado por todos.

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A FAMA DE JESUS

Autor: Fabiano Pereira Nunes

Artigo publicado na Revista Cultura Espírita, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, Março de 2012.

Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha. Ensinava em suas sinagogas e era glorificado por todos.” (Lucas 4:14-5)

Depreende-se da narrativa em O Evangelho Segundo Lucas que, em breve período de tempo, a popularidade de Jesus espalhou-se por toda Galileia, e demais regiões da Província da Judeia, sendo aclamado por hebreus dos vários segmentos sócio-religiosos da época.
Não obstante ter vivido toda uma existência na condição de desconhecido judeu camponês(1), Sua rápida notoriedade, visto que se celebrizara em menos de três anos, assombrou autoridades religiosas e políticas do período, não só judias como também romanas. A razão para tão elevada reputação está relacionada – sobretudo – aos Seus feitos formidáveis.
Ainda nos tempos atuais, a temática da reputação fascinante que Jesus, sem esforço direcionado para tal, imprimira prossegue inspirando a investigação de pesquisadores das mais admiráveis academias.
Geza Vermes(2), insigne professor de estudos bíblicos e judaicos da Universidade de Oxford, explorando cientificamente as narrativas bíblicas, apresenta formidável análise das várias faces que afamaram Jesus: Messias Nacional, Filho do Deus Altíssimo, Redentor e Cristo; Profeta judeu escatológico; Mestre fascinante; líder carismático e revolucionário.
Conquanto, não apenas Geza Vermes, mas também a maior parte dos mais eminentes estudiosos contemporâneos, aponta a fama de curador e libertador de “demônios” como sendo as grandes responsáveis pela Sua notabilidade(1-2).  Presentemente, essa aura prossegue preponderando entre as comunidades cristãs em quase a totalidade das denominações religiosas.
O espiritismo, em sua qualidade de Terceira Revelação da Lei de Deus aos homens(3), restaura o cristianismo ao seu sentido verdadeiro: o puramente espiritualista(4). Por conseguinte, Allan Kardec – denominado Codificador da Doutrina Espírita por ter selecionado, organizado e desenvolvido didaticamente em cada uma de suas obras as experimentações científicas, análises críticas, textos, depoimentos espirituais e observações que laborara, oriundas de diversas fontes mediúnicas, concordantes e totalmente desconhecidas entre si(5) – apresenta a irrefutável interpretação para a questão acerca da mais importante glória creditada aos feitos de Jesus:
“O maior milagre que Jesus operou, o que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que seus ensinos produziram no mundo, malgrado a exiguidade dos seus meios de ação. Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na mais humilde condição, no seio de um povo pequenino, quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, apenas durante três anos prega a sua doutrina; em todo esse curto espaço de tempo é desatendido e perseguido pelos seus concidadãos; vê-se obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído por um de seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos no momento em que cai nas mãos de seus inimigos. Só fazia o bem e isso não o punha ao abrigo da malevolência, que dos próprios serviços que ele prestava tirava motivos para o acusar.
Condenado ao suplício que só aos criminosos era infligido, morre ignorado do mundo, visto que a História daquela época nada diz a seu respeito. Nada escreveu; entretanto, ajudado por alguns homens tão obscuros quanto ele, sua palavra bastou para regenerar o mundo; sua doutrina matou o paganismo onipotente e se tornou o facho da civilização. Tinha contra si tudo o que causa o malogro das obras dos homens, razão por que dizemos que o triunfo alcançado pela sua doutrina foi o maior dos seus milagres, ao mesmo tempo que prova ser divina a sua missão. Se, em vez de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do homem, ele apenas houvesse legado à posteridade alguns fatos maravilhosos, talvez hoje mal o conhecessem de nome.”(6)
Mais uma vez se destaca a lucidez e o brilhantismo da exegese Kardeciana, desvelando a expressão do Cristo que verdadeiramente importa aos cristãos: Seus exemplos, ensinos e caridade incansável.
Apreende-se, pois, com Allan Kardec, ser condição essencial para nossa jornada em busca do Jesus real que libertemo-nos inteiramente de toda forma de atração pelo personalismo, desvinculando-nos dos atavismos multisseculares que ainda se nos agrilhoam, com o intuito de vivenciarmos o mais perfeito sentido da doutrina do Cristo, definitivamente fixando-nos na alma seus conteúdos fundamentais.
1.    CROSSAN, John Dominic. O Jesus histórico: a vida de um camponês judeu mediterrâneo. Trad. André Cardoso. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994. 543 p.
2.    VERMES, Geza. As Várias Faces de Jesus. Tradução Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Record, 2006. 361 p.
3.    KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro: Leon Denis Gráfica e Editora, 2010. Cap. I, item 6. p. 54.
4.    Idem. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano sexto, novembro de 1863. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 476.
5.    Idem. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro: Leon Denis Gráfica e Editora, 2010. Introdução, p. 22-32.
6.    Idem A Gênese. Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 2. Ed., Rio de Janeiro, Leon Denis Gráfica e Editora: 2007. Cap. XV, item 63. p. 373

As Obras Subsidiárias do Espiritismo - programa dos dias 12 e 15 fevereiro de 2012



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VI.1 OBRAS BÁSICAS

a. O Principiante Espírita:

c. Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas (1858)- contém o “Definições Espíritas”: http://www.4shared.com/document/Nz7uTchM/Allan_Kardec_-__1858__Instruo_.htm

d. O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples – 1862 - (acrescido dos livros Caráter da Revelação Espírita e Catálogo Racional das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita): http://www.4shared.com/get/Bf6zRQGL/O_Espiritismo_na_sua_expresso_.html

e. Viagem Espírita de 1862 (e viagens de outros anos): http://www.4shared.com/get/PyLvELFs/Viagem_Esprita_em_1862_-_Allan.html

f. Refutação das Críticas Contra O Espiritismo: http://www.4shared.com/office/rUdw2xvT/Allan_Kardec_-_Refutao_das_Crt.html

g. Resumo das Leis e dos Fenômenos Espíritas (1864): http://www.4shared.com/office/kLH-aF_F/Allan_Kardec_-__1864__Resumo_d.html

h. Resposta à Mensagem dos Espíritas Lioneses por Ocasião do Ano Novo – 1862

i. Coleção de Composições Inéditas - 1865

j.Estudo Acerca da Poesia Medianímica – 1867

VI.2 . OBRAS FUNDAMENTAIS

a. 1857 - O Livro dos Espíritos (J Herculano Pires)http://www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/OLivrodosEspJHP.pdf

b. 1861 - O Livro dos Médiuns (J Herculano Pires)http://www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/OLivrodosMediunsJHP.pdf

c. 1864 - O Evangelho Segundo O Espiritismo (J Herculano Pires)http://www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/OEvansegoEspJHP.pdf

d. 1865 - O Céu e o Inferno (J Herculano Pires)http://www.aeradoespirito.net/LivrosCodEspirita/OCeueoInfJHP.pdf

e. 1868 - A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o espiritismo (CELD

VI. 3. OBRAS SUBSIDIÁRIAS

a.     Obras Póstumas: Notícia Sobre o Livro – por J Herculano Pires

Publicado vinte e dois anos após o lançamento da última obra de Kardec, A Gênese, com que ele encerrou a Codificação, Obras Póstumas apresenta vários trabalhos do mestre que nunca haviam aparecido em livro. Na verdade, a maioria já havia sido publicada na Revista Espírita, logo após o seu passamento, como os leitores poderão verificar consultando o volume da coleção correspondente ao Ano de 1869. O que se conservou inédito até 1890 foi o material constante da segunda parte deste volume, intitulado Transcrições in-extenso do Livro das Previsões Referentes ao Espiritismo, assim mesmo com exceção da Constituição do Espiritismo, também já divulgada, embora sem os comentários que Kardec reservara para mais tarde.

A importância deste volume é inegável e nenhuma objeção se pode fazer à legitimidade dos trabalhos que o constituem. A publicação anterior na Revista, com antecedência de cerca de vinte anos, neutralizou as críticas que geralmente ocorrem nesses casos. Apesar disso, há ainda pessoas que levantam suspeitas infundadas quanto à validade deste livro, o que por sinal em nada o afeta, principalmente para os que se dão ao trabalho de lê-lo e analisá-lo. Só lamentamos que não se tenham publicado mais alguns volumes póstumos de trabalhos do mestre, que forçosamente os deixou em maior número, tal era a sua capacidade de trabalho e o seu desejo de abordar todos os problemas relativos ao Espiritismo. A publicação tardia de Obras Póstumas revela, infelizmente, que houve descuido nesse sentido por parte dos seus sucessores. Não se trata de uma acusação, mas apenas de um registro necessário.

Logo de início, na pequena nota de abertura, deparamos com todo o drama de Kardec. É o aviso Aos assinantes da Revista, declarando que essa publicação e todas as obras doutrinárias do mestre foram essencialmente obra e criação sua. O desmentido vem na segunda parte do volume, quando vemos que todo o trabalho da Codificação (incluindo a Revista, como o disse o próprio Kardec) resultou de uma colaboração estreita e permanente entre ele, os médiuns que o serviam, os Espíritos que o orientavam e os grupos e centros de estudos com os quais se correspondia. Vê-se estampado nessas poucas linhas o drama de um homem que, tendo-se adiantado ao seu tempo, teve de enfrentar a incompreensão e o despeito dos que desejavam fazer doutrina acima dele.

A responsabilidade espiritual de Kardec era enorme e ele não podia partilhá-la a não ser com aqueles que traziam à Terra a missão de ajudá-lo. Muitas vezes quis servir-se de pessoas que julgava aproveitáveis, mas os Espíritos Superiores o advertiam em sentido contrário. Kardec se retraía e os seus companheiros atribuíam essa atitude às suas possíveis ambições de predomínio. O próprio Flammarion, à beira do túmulo, não o acusou de fazer obra um tanto pessoal? Essa acusação se repete de maneira mais violenta e incisiva na nota da Revista em junho de 1869, três meses após a desencarnação do mestre que serve de abertura para o texto geral de Obras Póstumas. Longe disso, porém, Kardec procurava colaboradores e sofria por não encontrá-los. A obra não era pessoal, mas a responsabilidade da sua atualização na Terra tornou-se quase pessoalíssima em virtude da falta de criaturas aptas a compreendê-la. E a prova maior disso está no que fizeram da Revista e da Sociedade após a sua passagem para a vida espiritual.

Este livro representa o testamento doutrinário de Allan Kardec. Reúne os seus derradeiros escritos e as anotações íntimas, destinadas a servir mais tarde para a elaboração da História do Espiritismo que ele não pode realizar. Vemos aqui a sua plena confirmação dos ensinos dados nas obras anteriores e a justificação de muitas de suas atitudes mal compreendidas pelos contemporâneos. Esta obra precisa ser lida com atenção e respeito. Ela nos desvenda os segredos de uma vida missionária. Quanto à grandeza dessa missão basta vermos o que os próprios Espíritos Superiores dizem em suas comunicações aqui reproduzidas. Na mensagem intitulada Minha Missão, de 12 de abril de 1860, vemos que os Espíritos sábios ficarão felizes de poder assisti-lo, e mais: quantos entre eles desejariam cumprir a sombra dessa missão!

No final deste volume encontramos o modelo de que se serviram os espíritas brasileiros para fundar o Movimento de Unificação.

É ele a Constituição do Espiritismo, um dos últimos trabalhos de Kardec, com o qual o mestre pretendia orientar os que ficavam, de maneira a poderem manter ao mesmo tempo o serviço de divulgação e o desenvolvimento da Doutrina, sem prejuízo de seus postulados de liberdade e responsabilidade. Ressalta desse esboço, o espírito liberal de Kardec, a sua profunda convicção de que o homem é um ser livre, de cuja liberdade depende o seu desenvolvimento espiritual como personalidade responsável. A respeito deste problema, que tanto preocupa o nosso século, a posição do Espiritismo é inequívoca e os leitores poderão encontrar, neste volume, trabalhos esclarecedores de Kardec, como As Expiações Coletivas em que a antinomia (destino versus livre-arbítrio) é colocada em termos precisos, Liberdade, Igualdade e Fraternidade (que oferece uma visão clara e objetiva da problemática social à luz da Doutrina) e As Aristocracias (que completa essa visão com um esquema histórico da evolução política da Humanidade). Esse trabalho abre também as perspectivas do futuro humano com a tese da aristocracia intelecto-moral.

J. Herculano Pires - LAKE - Livraria Allan Kardec Editora

b. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos.

O êxito de O Livro dos Espíritos fez com que chegassem cartas de todos os países: dúvidas, experiências, consolação e críticas;

Em vez de responder a uma pessoa por vez, Allan Kardec pode comunicar-se com todos, simultaneamente;

Histórico: 15 de novembro de 1857 - (Em casa do Sr. Dufaux; médium: Sra. E. Dufaux)

“NOTA — Apressei-me a redigir o primeiro número e fi-lo circular a 1º de janeiro de 1858, sem haver dito nada a quem quer que fosse. Não tinha um único assinante e nenhum fornecedor de fundos. Publiquei-o correndo eu, exclusivamente, todos os riscos e não tive de que me arrepender, porquanto o resultado ultrapassou a minha expectativa. A partir daquela data, os números se sucederam sem interrupção e, como previa o Espírito, esse jornal se tornou um poderoso auxiliar meu. Reconheci mais tarde que fora para mim uma felicidade não ter tido quem me fornecesse fundos, pois assim me conservara mais livre, ao passo que outro interessado houvera querido talvez impor-me suas idéias e sua vontade e criar-me embaraços. Sozinho, eu não tinha que prestar contas a ninguém, embora, pelo que respeitava ao trabalho, me fosse pesada a tarefa.” In: Obras Póstumas

Revista publicada de 01/01/1858  até abril de 1869, portanto, 11 anos e 4 meses;

Nela encontramos a história viva das origens do espiritismo;

A Revista Espírita fez um extraordinário sucesso, recebendo assinantes em todos continentes, das classes sociais mais carentes até os tronos de reis;

Foram 4409 páginas escritas no original francês, mais de 125 artigos por ano, sem interrupção;

Kardec publicara na Revista Espírita 1453 artigos doutrinários;

A Revista está incrivelmente atualizado até hoje;

A editora FEB publicou-os em 12 volumes;

Apresenta enorme qualidade didática (leia da capa a contracapa);

Introdução do Primeiro número: traça as diretrizes, esclarece os objetivos da revista;

Transformou-se em TRIBUNA LIVRE, “na qual, porém, a discussão não deverá nunca sair das regras da mais estrita conveniência”. “Discutiremos, não disputaremos”;

A RE constitui-se em “Poderoso auxiliar” de Kardec para dialogar com adeptos;

Nela pode expor fatos e acontecimentos aos pesquisadores, para “submetê-los ao escalpelo da observação”, extraindo reflexões, conceitos, consequências e conclusões racionais;

Através da RE Kardec mantivera os espíritas atualizados sobre experiências, acontecimentos e progressos da doutrina;

Com ela o Codificador ensina a prevenção contra os exageros da credulidade  e o cepticismo;

Nela comentara, por vezes em textos extensos, sobre fragmentos de livros, documentos, artigos - de épocas diversas- mostrando aplicação e relação com a Nova Doutrina;

Analisara na Revista notícias da imprensa, à luz do espiritismo. “são para os espíritas mina inesgotável de observações e instruções”;

Na Revista Espírita Allan Kardec apresentara produções mediúnicas sérias, comunicações relevantes, algumas em prosa e verso, recebidas de várias partes do mundo, criteriosamente escolhidas;

Kardec também usara a Revista para desvelar as relações da arte com a doutrina espírita;

Na Codificação estão mensagem, e por vezes capítulos, que já haviam sido publicados na REVISTA;

O Codificador também se utilizara da Revista Espírita para consolar pessoas que perderam seus familiares;

A RE se constituiu em poderosa ferramenta para esclarecer obsidiados, amparar criminosos, promover a caridade, promover a educação;

Teve de reimprimir as edições de 1858, 1859, e 1860, em virtude do grande numero de novos pedidos.

A Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos (1858 a 1869)

Artigo: Palavra Dura


PALAVRA DURA
“Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?” (João 6:60)
 Autor: Fabiano Pereira Nunes

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil - ICEB, ano IV, n 35, fevereiro de 2012, p.15.

Na época presente, observa-se grande demanda por indivíduos que saibam transitar habilmente pela arte da boa articulação política, tendo em vista a necessidade de estabelecer alianças, pessoais e profissionais, produtivas. Evolução das relações, a finura e a destreza - interinstitucionais e interpessoais - estão entre os principais instrumentos para a aquisição de uniões frutuosas.

Nada obstante, a ambição desmedida pelo sucesso tem arrastado muitos às condições extremas da diplomacia, chegando à venalidade e à cupidez, empalidecendo os sentimentos mais justos e cristalinos, em detrimento da franqueza e da sinceridade.

Isso porque temos grande dificuldade em delimitar as tênues fronteiras entre a polidez e a falsidade, a civilidade e a pusilanimidade, a fineza apurada e a hipocrisia. Diante desse desafio, nunca será demais recordar que temos em Jesus o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode pretender(1-2) na Terra.

O Filho do Homem sempre demonstrara impar transparência de sentimentos, prova de um caráter reto e de nobres propósitos. Para qualquer pessoa tornava-se assaz fácil fazer a leitura de Suas legítimas intenções.

Sem dissimulação, discorria com lisura e firmeza, ao ponto de - segundo apreendemos em João(3)- muitos dos discípulos e seguidores que já O acompanhavam desistirem do Evangelho:

“A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não mais andavam com ele”(3).

No entanto, em uma postura de incomensuráveis transparência e franqueza, Jesus voltara-se para Os Doze Apóstolos, questionando-os, à “queima roupa”:

“Não quereis também vós partir?”

Raramente na história alguém procedeu com tanta diafaneidade de atitude para com seus seguidores.

Também se ressalta(4) que Jesus sempre estivera sob o açodar das arguições dos Doutores da Lei. De todas as maneiras, buscavam colocá-Lo em contradição, ou mesmo em oposição, às Leis Judaicas – conquanto – o discurso de Jesus transcendia em inteligência até emudecê-los, em razão de Suas argumentações insofismáveis. A argúcia de Suas exposições só era superada pela Sua vida, reta e incorruptível. Foi por essa razão que Jesus, duramente, refutara aos Doutores:

- “Quem dentre vós, me acusa de pecado?”(4).

A tradução dessa expressão traz por significado inquirir quem, dentre todos os presentes, poderia apontar uma única situação na vida de Jesus que pudesse ser criticada, ou pelo menos apontar alguma atitude, palavra ou pensamento, que pudesse ser qualificada como “pecaminosa”. Inolvidável combinação de cristalinidade de sentimentos e atitude máscula.

Notavelmente, os discursos do Rabban(5) de Deus nas sinagogas constituíam magníficas exemplificações de virilidade e translucidez de caráter, criticando com lucidez e destemor os comportamentos que estivessem em desacordo com as Leis de Deus:

“Assim falou ele, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. Muitos de seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la? Compreendendo que seus discípulos murmuravam por causa disso, Jesus lhes disse: Isto vos escandaliza?”(6)

Allan Kardec, em sua condição de apóstolo de O Espírito de Verdade(7), desvela as mais excelentes interpretações para o Novo Testamento, e, por conseguinte, para a complexa questão da demarcação entre a fingida bonomia e a verdadeira afabilidade. Notadamente em O Evangelho Segundo O Espiritismo(8-9), o dileto emissário do Cristo dá publicidade aos ensinos sobre o melhor proceder: nunca agir com dissimulação ou hipocrisia, mas ao contrário, desenvolver a sincera benevolência ao próximo, usando a clareza, a sinceridade e a bondade como poderosas ferramentas para promover o bem e a verdade, sem condescender com o erro, e sem renunciar a crítica construtiva e a reprovação do mal, com o estrito intuito de desmascarar o delito no interesse da caridade para com maioria.

Incorporemos, pois, as palavras duras – porém redentoras - de Jesus e Seu dileto apóstolo Allan Kardec, com o fito de balizar a melhor fronteira entre a afabilidade e a falsidade, para que não nos percamos em labirintos de hipocrisia, sempre criticada contundentemente pelo Mestre Maior.

1.       KARDEC, Allan. Le Livre Des Esprits. Quatorzième Édition. Didier Et Cie Libraires-Éditeurs, Paris: 1866. Q.625. p. 268. Tradução da questão 625 [...] “Jésus est pour l homme le type de la perfection morale à laquelle peut prétendre l humanité sur la terre” [...] feita pelo articulista.

2.       Nota: As primeiras edições francesas de O Livro dos Espíritos, assim como as demais obras de Allan Kardec, podem ser lidas no site “Google Livros”, através da URL <http://books.google.com.br/books?id=XC44AAAAMAAJ&dq=le%20livre%20des%20esprits&hl=pt-br&pg=PP7#v=onepage&q&f=false> .

3.       BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo João, cap. 6, versículos 66 e 67. p. 1860

4.       Idem. O Evangelho Segundo João, Cap. 8, versículo 46. p. 1866.

5.       Dentre os mestres hebreus (Rabbi), Rabban significava Mestre Superior.

6.       BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004.. O Evangelho Segundo João, Cap. 6, versículos 59 a 61. p. 1859.

7.       KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro: CELD Ed, 2010. Cap. VI, item 6, p. 135.

8.       Idem. Ibidem. Cap. IX. p. 165-172.

9.       Idem. Ibidem. Cap. X, itens 19 ao 21. p. 186-187.

Artigo: Comunicações Espirituais



COMUNICAÇÕES ESPIRITUAIS

(autor Fabiano Pereira Nunes)

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil – ICEB, ano IV, no 34, janeiro de 2012, p.15.

“E os espíritos impuros, assim que o viam, caíam a seus pés e gritavam: Tu és o Filho de Deus! E Ele os conjurava severamente para que não o tornassem manifesto” (Marcos 3:11-12)

Encontramos relatado em O Novo Testamento que Jesus sempre estivera seguido por grandes multidões.

No Evangelho Segundo Marcos(1) temos a notícia de que todos os que sofriam de alguma enfermidade lançavam-se sobre Ele, para O tocar. Notavelmente, até mesmo os espíritos inferiores, assim que o viam, caíam aos seus pés e clamavam: “Tu és o Filho de Deus!” No entanto, Jesus os repreendia severamente, para que silenciassem.

Nesse, como em muitos outros versículos da Bíblia, poder-se-ia garimpar preciosíssimas lições por entre as minúcias dos textos sagrados, no que diz respeito à interpretação das comunicações dos espíritos desencarnados.

Observa-se que O Mestre reprime a manifestação dos espíritos “Tu és o Filho de Deus!”, não obstante, em primeira apreciação, a assertiva estivesse absolutamente correta, posto que Jesus é o Messias esperado pelo povo hebreu. Em um julgamento inicial, seria até natural atribuir utilidade ao que fora dito pelos espíritos curados pelo Cristo, malgrado, aplicando acurada análise crítica, perceberemos que Ele, ao recriminar aquelas comunicações, estaria se evadindo de lisonja desnecessária.

Tais advertências ainda constituem motivo de graves preocupações até o tempo presente. Dentre as dificuldades da prática mediúnica, diferenciar as comunicações de espíritos sábios daquelas dos espíritos pseudossábios sempre foi uma das mais difíceis e desafiadoras.

Allan Kardec, o mais fiel intérprete de O Espírito de Verdade, publicara reiteradas advertências sobre essa matéria.  Em A Revista Espírita(2), O Codificador assim articulara: “Os Espíritos bons aprovam aquilo que acham bom, mas não fazem elogios exagerados. Estes, como tudo que denota lisonja, são sinais de inferioridade da parte dos Espíritos.”

Sobretudo nos dias atuais, em que proliferam livros classificados como mediúnicos, mas que são - em verdade - não doutrinários e anti-doutrinários, as elucidações kardecianas devem ressoar vívidas em nossa memória.

Em face da oportunidade do tema, peço licença ao prezado leitor para reproduzir, ainda de Allan Kardec, uma citação bibliográfica(3) um pouco mais extensa, mas de suma importância para aclarar a circunspecção que a matéria exige:

[...] “ora, prova a experiência que os maus se comunicam tão bem quanto os bons. Os que são francamente maus são facilmente reconhecíveis; mas há também, entre eles, os semi-sábios, os falsos sábios, os presunçosos, os sistemáticos e até os hipócritas; Estes são os mais perigosos, porque afetam uma aparência de gravidade, de sabedoria e de ciência, em favor da qual enunciam, em meio a algumas verdades e boas máximas, as coisas mais absurdas. E, para melhor enganar, não receiam odorar-se com os nomes mais respeitáveis. Separar o verdadeiro do falso, descobrir o embuste escondido numa exibição de palavras bonitas, desmascarar os impostores, eis aí, sem contradita, uma das maiores dificuldades da Ciência Espírita. Para superá-la, faz-se necessária uma longa experiência, conhecer todas as astúcias das quais são capazes os Espíritos de baixa classe, ter muita prudência, ver as coisas com o mais imperturbável sangue frio, e, sobretudo, guardar-se contra o entusiasmo que cega. Com habilidade e um pouco de tato chega-se facilmente a desmascará-los, mesmo sob a ênfase da mais pretensiosa linguagem. Mas infeliz o médium que se julga infalível, que se ilude sobre as comunicações que recebe: o Espírito que o domina pode fasciná-lo ao ponto de fazê-lo achar sublime o que, frequentemente, é apenas absurdo e salta aos olhos de todos, menos aos seus.”[...]

Os espíritos não são semideuses, mas os homens e mulheres que viveram na Terra. Porquanto, instruamo-nos sempre em Jesus e Allan Kardec, a fim de incorporarmos em nossas vivências mediúnicas o hábito de sopesar, arguir e criticar categoricamente tudo que provêm dos espíritos desencarnados, ainda que sob a assinatura de nomes respeitáveis ou admirados.

1. BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo Marcos 3:7-12 p. 1763.

2. KARDEC, Allan: ”Aforismos Espíritas e Pensamentos Avulsos”. Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos.  Ano II, Dezembro de 1859. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. ed., 2ª reimp. Rio de Janeiro : FEB, 2009. p 534.

3. Idem: “Formação da Terra”. Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos. Ano III, abril de 1860. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 171.

ENCICLOPÉDIA DA BÍBLIA, organizada por John Drane


Caros amigos.

Gostaria de recomendar a excelente Enciclopédia da Bíblia, organizada por John Drane, que poderá ser encontrada nas grandes livrarias, como as Livraria Saraiva e da Travessa, por exemplo.

No entanto, vocês poderão Consultar e ler a Enciclopédia da Bíblia aqui mesmo no blog!

A imagem abaixo não é apenas uma figura, mas sim uma janela para acessar essaa Enciclopédia, que está hospedada no "Google Livros".

Bastar clicar na barra de rolagem ("setinhas") da figura abaixo, e as páginas do livro se abrirão para leitura.

Caso a janela apareça "em branco", clique em "conteúdo", no topo dessa figura, e a enciclopédia será carregada no blog novamente.





Bons estudos, fraternal abraço, Fabiano


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