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VONTADE


VONTADE

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano II, n. 22, janeiro de 2011, p. 15.

“Mas o Cristo, que realizou milagres materiais, mostrou, por esses mesmos milagres, o que o homem pode quando tem fé, isto é, a vontade de querer, e a certeza de que essa vontade pode se realizar.” (1)

Na vida contemporânea, ser dono de uma vontade vigorosa tem sido assinalado como uma das qualidades emocionais de maior proficuidade para uma vida plena em sucesso.

Define-se vontade(2) como a força interior que impulsiona o indivíduo a realizar algo, com o fito de atingir seus fins ou desejos; ou ainda, ânimo, determinação, firmeza, disposição, empenho, interesse, e zelo.

Indubitável, para superarmos todas as vicissitudes faz-se condição essencial a tenacidade e a perseverança. E como usual, em Jesus encontraremos o modelo de vontade e determinação mais diamantino, e também o mais inteligível e acessível para nossa vida humana

Não casualmente, por tal razão Allan Kardec asseverou3 que “para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode pretender na Terra”.(4)

O Amigo Fiel foi incansável na tarefa de ensinar a arte de viver. Em toda a Sua vida apreenderemos – de forma apaixonante - o sentido de uma existência impulsionada por decidido intuito de atingir objetivos, mesmo sob as condições mais tormentosas.

Conquanto, ao findar Seu ministério de amor e caridade na existência planetária, O Ungido de Deus apresenta-nos Sua derradeira lição acerca do uso da vontade vigorosa para a superação dos óbices. Jesus fora levado a uma condenação de morte infamante e cruel - a crucificação, pena aplicada exclusivamente aos soldados romanos desertores e aos mais vis criminosos – sofrendo, pois, as dores mais acerbas.

Pesquisadores de Rochester, Minn, EUA(5), desvelaram que Ele suportara a ignominiosa aplicação do flagrum, açoitamento que era a preliminar legal de todas as execuções romanas. O instrumento usado era um pequeno chicote tipo flagelum, com franjas de couro trançado de variadas larguras, cujas pontas continham pequenas bolas de ferro e pedaços de ossos de ovelha afiados, presos em intervalos. Para o açoitamento, o homem era despido e suas mãos amarradas num poste. As costas, nádegas e pernas eram açoitadas por 2 soldados, ou por 1, que alternava a posição. A severidade da flagelação dependia da disposição que os carrascos pretendiam deixar a vítima: desde apenas um pequeno colapso até a morte. Durante, e depois, do flagelamento os soldados sempre insultavam suas vítimas. Atesta-se que no Pretório Jesus foi severamente chicoteado. Apesar da severidade do flagelo não ser discutida nos quatro relatos evangélicos, está implícita em uma das epístolas de Pedro (I Pedro 2.24).

Os soldados romanos(5), repetidas vezes, golpearam as costas de Jesus com toda a força, porquanto, as bolas de ferro causaram grave traumatismo, ademais, as tiras de couro e os ossos, cortaram Sua pele, com lesões subcutâneas e musculares. Por conseguinte, as lacerações profundas produziram – além do traumatismo grave - intensa hemorragia, possivelmente até em órgãos internos. Acredita-se que o trauma, a dor e a perda de sangue devam ter levado a um estado circulatório de colapso definido como choque. Desta forma, mesmo antes de ser efetivamente crucificado, a condição física de Jesus era, no mínimo, crítica, fato esse que explicaria Sua desencarnação tão rápida na crucificação, haja vista que o condenado costumava levar dias para morrer em asfixia no madeiro.

Malgrado a condição clínica muito grave(5), em vez de imprecar ou ceder, Jesus não hesita em Sua coragem e obstinação, mas ao contrário, O Médium de Deus oferece ao mundo mais uma preciosa lição de ânimo, e robusta determinação: carrega o patibulum da cruz - a haste horizontal de madeira onde os punhos eram pregados no processo de crucificação, pesando entre 34 a 57 kg - do pretorium até o Gólgota, por mais de 600 metros, sem blasfemar, e nem sequer queixar-se. Dessa forma, O Mestre Amorável, ao ser pregado à cruz, transformara essa morte infamante numa epopéia inolvidável, exemplificando o amor, a fidelidade aos amigos e aos ideais, o perdão incondicional, e – de maneira especial – nos ensinou sobre como sustentar a firme disposição para lograrmos os fins anelados, ainda que nas condições mais ásperas. Tenhamos, pois, “a vontade de querer, e a certeza de que essa vontade pode se realizar.” (1)

1. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 1. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Cap.XIX, item 12.

2. HOUAISS, Antonio; Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0. Editora Objetiva Ltda. 2009.

3. Nota: As primeiras edições francesas de O Livro dos Espíritos, assim como as demais obras de Allan Kardec, podem ser lidas no site “Google Livros”, através da URL .

4. KARDEC, Allan. Le Livre Des Esprits. Quatorzième Édition. Didier Et Cie Libraires-Éditeurs, Paris: 1866. Q.625. p. 268.

5. EDWARDS, W. D; GABEL, W. J.; HOSMER, F. E. : On The Physical Death of Jesus Christ. In: JAMA, The Journal of The American Medical Association (Trabalho científico publicado pelo Departamento de Patologia da Mayo Clinics, Rochester, Minn, EUA). USA. 1986, mar 21, vol 255, n. 11, p 1455 – 1464.




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