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Apresentação Powerpoint da palestra "Formação do NT", realizada em 15/12/2013, na C.E.F.P

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ojesushistorico@gmail.com

AUTOPERCEPÇÃO (Artigo)



AUTOPERCEPÇÃO
Autor Fabiano Pereira Nunes
Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano V, n 55. Outubro de 2013, p.15.

Quase de forma consensual, percebe a sociedade que o ritmo da vida moderna, em velocidade vertiginosa, produz grandes dificuldades para a formação de vínculos produtivos nas diversas relações interpessoais e sociais.

Não apenas a quantidade de tempo dedicada à “vida interior”, mas também a qualidade desse tempo, tem sido apontadas como fatores causais de relevante peso nos processos de distanciamento afetivo entre as pessoas, mesmo dentro do lar.

Por conseguinte, faz-se necessário que os indivíduos se esforcem para tomar consciência dessa problemática, e busquem caminhos alternativos, com o fito de lograr uma vida com mais qualidade.

Em tal perspectiva, o desenvolvimento das qualidades morais e emocionais se nos apresentam com singular importância. Identificamos, nesse sentido, na autopercepção uma poderosa alavanca para o aprimoramento.

Define-se a autopercepção (1) como uma capacidade de perceber e compreender o próprio estado de espírito, emoções, impulsos, bem como seus efeitos nas outras pessoas.

Valiosa competência emocional, o constante reconhecimento do próprio estado de espírito permite que identifiquemos os próprios sentimentos, e seus impactos nas relações com familiares, amigos e com os diversos segmentos sociais.

E para a melhor compreensão do valor da autopercepção faz-se, invariavelmente, útil apreender nos ensinos de Jesus, e na interpretação Kardeciana desses ensinos, as mais robustas referências.

Encontraremos descrito no Quarto Evangelho, o chamado Evangelho segundo João (2), o anúncio da traição de Judas, onde Jesus, antes de declarar que seria traído, perturbou-se interiormente e afirmou que seria um dentre os discípulos que o faria. Simão Pedro, através de um gesto, pede ao “discípulo amado” que pergunte ao Senhor  quem seria esse traidor.

Como seria natural acontecer, o estado de perturbação interior e o anúncio da traição causaram grave impacto nos amigos e familiares de Jesus, reunidos em mais uma celebração Judaica: a Páscoa.

Nada obstante, Jesus – numa impressionante exemplificação de autopercepção e redirecionamento emocional – revertera toda a disposição emocional negativa que sucedera, através de Suas atitudes transbordantes de amizade, lealdade e afeto, mais ainda, através de Seus discursos altamente positivos e otimistas:

Cesse de perturbar-se o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar, e quando eu me for e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também”(3).

Admiráveis palavras, impregnadas de compaixão e empatia.

Allan Kardec, demonstrando sua ímpar qualidade de educador, em O Livro dos Espíritos (4) nos elucida -  de forma pragmática - sobre o desenvolvimento da percepção com vistas ao adiantamento moral e intelectual. Dando publicidade à instrução do espírito Agostinho de Hipona, onde esse expoente da Codificação oferece seu método pessoal de reforma íntima, o Codificador do Espiritismo apresenta à humanidade uma forma prática e segura para que ela percorra a senda do crescimento. Instrui o espírito Agostinho:

[...] “Fazei o que eu mesmo fazia, quando vivi na Terra: no final do dia, interrogava minha consciência, passava em revista o que tinha feito e me perguntava se não havia faltado a algum dever, se ninguém tivera motivo de se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver, em mim, o que precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, relembrasse todas as suas ações do dia e se perguntasse o que fez de bem ou de mal, rogando a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, pois, crede-me, Deus o assistiria. Perguntai, portanto, a vós mesmos e interrogai-vos sobre o que tendes feito, e com que objetivo agistes em tal circunstância; se fizestes alguma coisa que censuraríeis, da parte de outrem; se praticastes uma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda isto: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria eu que temer o olhar de alguém, ao retornar ao mundo dos Espíritos, onde nada fica oculto? Examinai o que podeis ter praticado contra Deus, depois, contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas serão um repouso para vossa consciência ou a indicação de um mal que precisa ser curado.” [...]

Portanto, a despeito do ritmo alucinante da vida hodierna, dediquemos tempo à “vida interior” e façamos o exercício recomendado por Agostinho-espírito em O Livro dos Espíritos, para que não nos distanciemos das pessoas, sobretudo dentro do nosso lar.

Diante desse desiderato, desenvolvamos a autopercepção como poderosa alavanca para colimarmos as melhores qualidades morais e emocionais, necessárias à vida pessoal e social com real qualidade.

REFERÊNCIAS

(1)     GOLEMAN, Daniel. Trabalhando com a Inteligência Emocional. Tradução M H C Cortês. Editora Objetiva, Rio de Janeiro: 1999. p.63-86.
(2)     BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo João, Cap. 13, versículos 21 e 22. p. 1878.
(3)     Idem. Ibidem. Evangelho Segundo João, Cap. 14, versículos 1 ao 3. p. 1879.
(4)     KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Maria Lúcia Alcantara de Carvalho. 2ª Ed., Rio de Janeiro: Leon Denis Gráfica e Editora, 2011. Parte Terceira, capítulo XII, Conhecimento de si mesmo, Q. 919. p.416-18.
 

Seminário no GEYP: Allan Kardec, O Apóstolo da Verdade



Travessa Coelho Gomes, casa 6. Icaraí, Niterói - RJ

EU ESTOU CONVOSCO, E MEU APÓSTOLO VOS ENSINA.

Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para um dia vos lançardes, livres e felizes, no seio daquele que vos criou frágeis, para vos tornar perfectíveis, e deseja que modeleis, vós mesmos, a vossa própria argila, a fim de serdes os artesãos da vossa imortalidade.” O Evangelho Segundo O Espiritismo, cap. VI, item 6.



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ATOS dos Apóstolo (cap. 16:16-8): a cura de uma jovem pitonisa




ATOS DOS APÓSTOLOS – CAPÍTULO 16 - Prisão de Paulo e Silas
16 Certo dia, quando íamos para o lugar de oração, veio ao nosso encontro uma jovem escrava que tinha um espírito de adivinhação (literal: um espírito pitônico); ela obtinha para seus amos muito lucro, por seus oráculos.
17 Começou a seguir-nos, a Paulo e a nós, clamando: "Estes homens são servos do Deus altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação". 18 Isto ela o fez por vários dias.
Fatigado com aquilo, Paulo voltou-se para o espírito, dizendo: "Em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que te retires dela!" E na mesma hora o espírito saiu.
19 Vendo seus amos que findara a esperança de seus lucros, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram à ágora, à presença dos magistrados. 20 Apresentando-os aos estrategos, disseram: "Estes homens estão perturbando nossa cidade. São judeus, 21e propagam costumes que não nos é lícito acolher nem praticar, pois somos romanos".


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Artigo: "MOSTRAI-ME UM DENÁRIO "

 
MOSTRAI-ME UM DENÁRIO
 
Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano V, n 53, agosto de 2013, p. 15.
 
Autor Fabiano Pereira Nunes
 
"Mostrai-me um denário. De quem traz a imagem e a inscrição?" Responderam: "De César". Ele disse então: "Devolvei, pois, o que é de César a César, e o que é de Deus a Deus". JESUS (Lucas 20: 25-5)
 
Para insignes estudiosos a notável comunicabilidade de Jesus se constitui numa das mais atraentes matérias de pesquisas. Professor carismático, Seus ensinos atravessaram os séculos com espantosa aplicabilidade e pragmatismo. E dentre os recursos que Jesus - com genialidade – aplicara, a arte de contar histórias se nos destaca em importância.
 
Através de belas e simples parábolas, Jesus discutia os problemas cotidianos da vida na Judeia, sempre adequando o diálogo ao nível sócio-cultural dos ouvintes, para que fossem muito bem apreendidas, e dessa forma o Mestre - de forma apaixonante - desenvolvia as inteligências nas artes de pensar e de viver, e ao mesmo tempo, desveladava as Leis Morais que o espiritismo possibilitou a integral compreensão.
 
O impacto das parábolas na alma desses ouvintes foi tão significativo que essas histórias foram recordadas com sutilezas e precisão de informações mais de seis décadas depois, no período em que os Evangelhos começaram a ser escritos.
 
Allan Kardec, codinome do notável cientista e pedagogo francês H L D Rivail, que recebeu do próprio Espírito da Verdade a missão de promover o advento do Consolador na Terra, elucida que “para se compreender melhor algumas passagens dos Evangelhos é necessário conhecer o valor de certas palavras, que neles são empregadas frequentemente e que caracterizam a situação da sociedade judaica e dos costumes naquela época. Essas palavras, não tendo mais, para nós, o mesmo sentido, muitas vezes foram mal interpretadas e, por isso mesmo, criaram muitas dúvidas. A compreensão do seu significado explica, além disso, o verdadeiro sentido de certas máximas que, à primeira vista, parecem estranhas”.(1)
 
Nesse sentido se faz oportuno conhecer alguns dos dinheiros da época histórica de Jesus, com o fito de bem entender o sentido de algumas mensagens ensinadas por parábolas. (2)
 
DENÁRIO: moeda romana de prata, seria a unidade básica de pagamento romano por um dia de trabalho. Teria dado origem a palavra “dinheiro”. Citada na “Parábola dos trabalhadores da vinha” (Mateus 20:1-2) — “Porque o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha. Depois de combinar com os trabalhadores um denário por dia, mandou-os para a vinha”.
 
DRACMA: moeda grega de prata, cujo valor seria equivalente a 1 denário. É o caso da “dracma perdida” (Lucas 15:8) — “Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas e perder uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente até encontrá-la?”.
 
CEITIL ou ASSE: moeda romana de cobre, cujo valor seria equivalente a 1/16 do denário. Citada em “A nova justiça é superior à antiga” (Mateus 5:26) Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
 
QUADRANTE: Moeda romana de cobre, cujo valor equivaleria a 1/64 do denário. Aparece em “A Esmola da Viúva Pobre(Marcos 12:42) — “Vindo uma pobre viúva, lançou duas moedinhas, isto é, um quadrante”.
 
ESTÁTER: moeda grega de prata, cujo valor equivaleria a 4 denários. Citada em “O tributo para o Templo pago por Jesus e por Pedro” (Mateus 17:27) — “Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar e joga o anzol. O primeiro peixe que subir, segura-o e abre-lhe a boca. Acharás aí um estáter. Pega-o e entrega-o a eles por mim e por ti".
 
MINA: peça grega de ouro, cujo valor seria equivalente a 100 denários. Narrada na célebre “Parábola das dez Minas (Lucas 19:13)Chamando dez de seus servos, deu-lhes dez minas e disse-lhes: 'Fazei-as render até que eu volte”.
 
TALENTO: peça em barra de ouro, cujo valor equivaleria a 6.000 denários. Consagrada na “Parábola dos talentos” (Mateus 25:14-15) — “Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade”.
 
Essas breves pinceladas são alguns exemplos que nos auxiliam a formar o quadro da importância de estudarmos os costumes e o caráter dos povos do tempo de Jesus, pelo muito que influem sobre o conhecimento particular de seus idiomas, haja vista que sem essas informações nos escapará o sentido verdadeiro de certos ensinos de Jesus.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1)                      KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro, Leon Denis Gráfica e Editora: 2010. Introdução, item III. p. 32.
(2)                      A Bíblia Sagrada, Edição Comemorativa. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. 2ª edição. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. Auxílios para o leitor, p. 38-9.

"Quem foi Madalena?" - Estudo Espírita e Histórico com Fabiano Nunes


A "Maria Madalena Histórica" foi a discípula e apóstola de Jesus, cuja liderança poderosa foi combatida e rivalizada por muitas comunidades paleocristãs. Não existem referências históricas e evangélicas ligando a mulher que ungiu os pés de Jesus, na casa de Simão Fariseu, e Madalena. Contudo, no ano de 591, o PAPA GREGÓRIO MAGNO I impõe uma versão sobre Maria Madalena: ele a transforma em prostituta arrependida. Não obstante inexistir qualquer tipo de sustentação bíblica para isso Gregório Magno reuniu, como se fosse uma só história, dois diferentes relatos lucanos (Lc 7:36-50, 8:2).

Assista ao estudo "Quem foi Madalena?", com Fabiano Nunes.

E depois, dê continuidade às reflexões, assistindo ao seguinte documentário:


Palestra no Grupo Espírita F. Francisco de Assis - 3 de agosto 2013

Não vim destruir a Lei: Jesus e Moisés estariam em antagonismo?

Bíblia de Jerusalém - Evangelho segundo Mateus

 5 O cumprimento da Lei — (17)Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, 18porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado. 19Aquele, portanto, que violar um só desses menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será chamado o menor no Reino dos Céus. Aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus.

Sefer Matitiyahu

5 17 Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas; não vim para abolir, mas para torná-los plenos.

Para baixar os slides apresentados nessa palestra clique AQUI NESTE LINK

E para fazer o download desse estudo CLIQUE AQUI

Para entender Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi



Cinebiografia do educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746 - 1827), um dos pioneiros da pedagogia moderna. Selecionado para o Festival de Cinema de Berlim, este drama tem como destaque a grande atuação do consagrado Gian Maria Volontè (A Classe Operária vai ao Paraíso) no papel-título. Edição Especial com vários vídeos extras sobre o legado de Pestalozzi e sua importância como educador do filósofo francês Allan Kardec (1804-1869), o Codificador da Doutrina Espírita. O filme focaliza um período crítico no desenvolvimento das teorias educacionais de Pestalozzi, quando o educador dirigia um internato para crianças pobres de um vilarejo na parte francesa da Suíça.

FILHOS REBELDES (AUTOR FABIANO PEREIRA NUNES)




FILHOS REBELDES (AUTOR FABIANO PEREIRA NUNES)
 
Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRTA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, junho de 2013.
 
O desafio da corrigenda dos filhos desajustados sempre se apresentou como preocupação para os progenitores, desde a antiguidade.
 
Na cultura Judaica ancestral a questão, do mesmo modo, causava notáveis apreensões. Observaremos no quinto livro do Torá, o Deuteronômio - que segundo a tradição judaico-cristã foi promulgado pelo profeta Moisés no fim da jornada Hebreia no deserto - uma prescrição legal deliberando a punição dos filhos inobedientes e corrompidos.
 
Assim determinava a Lei Mosaica (1):
“Se alguém tiver um filho rebelde e indócil, que não obedece ao pai e à mãe e não os ouve mesmo quando o corrigem, o pai e a mãe o pegarão e levarão aos anciãos da cidade, à porta do lugar, e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e indócil, não nos obedece, é devasso e beberrão." E todos os homens da cidade o apedrejarão até que morra. Deste modo extirparás o mal do teu meio, e todo Israel ouvirá e ficará com medo”.
 
Nada obstante a inequívoca posição de Jesus como membro da Sociedade Judaica de Seu tempo, os mais notáveis pesquisadores, das modernas ciências históricas, no-Lo tem apresentado como um contestador e renovador das leis Judias. Sobre isso Allan Kardec, o Apóstolo fiel e incansável de O Espírito de Verdade, desde há largo tempo já havia, brilhantemente, aclarado a questão:
 
“Há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar estabelecida por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, modifica-se com o passar do tempo. A Lei de Deus está formulada nos dez mandamentos [...] [...] Essa lei é de todos os tempos e de todos os países e, por isso mesmo, tem um caráter divino. Todas as outras são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a conter, pelo temor, um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha que combater os abusos e os preconceitos enraizados, adquiridos durante a escravidão no Egito. Para dar autoridade às suas leis ele teve que lhes atribuir uma origem divina, assim como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos”. (2)
 
“A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos a quem ela estava destinada a regenerar. Esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus sem a realização de holocaustos, nem que fosse preciso perdoar a um inimigo”. (3)
 
“Quanto às leis de Moisés, propriamente ditas, Ele (Jesus), ao contrário, as modificou profundamente, quer na substancia, quer na forma. Combatendo constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, por mais radical reforma não podia fazê-las passar, do que as reduzindo a esta única prescrição: ‘Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo’, e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas”. (4)
 
Por conseguinte, face às luzes oferecidas pelas ciências e pelo Codificador do Espiritismo, torna-se melhor compreensível não apenas a prescrição mosaica que diz respeito ao corretivo dos filhos desregrados, como também os ensinos de Jesus que, audaciosamente, refutam a Torá. Revolucionando o conceito de se apedrejar até a morte os filhos ignominiosos, Jesus promoveu uma nova abordagem, combinando disciplina com compaixão, autoridade com comiseração, inconivência com piedade.
 
Nesse sentido, com o fito de criar imagens mentais com exemplos inconfundíveis, O Mestre contou histórias com cores muito vivas, narrando parábolas inesquecíveis, como as três “Parábolas da Misericórdia” (5), cuja culminância é a Parábola do Filho Perdido e do Filho Fiel, ou do Filho Pródigo, onde o pai de família não é conivente com o erro, no entanto, recebe o filho sinceramente arrependido com o mais comovente amor paternal.
 
Por essa razão urge não nos esquecermos, também, da nossa condição de filhos rebeldes do Criador, que igualmente precisam dos corretivos das provas e expiações, através das vidas sucessivas, anelando as conquistas morais que logram o encontro com as bênçãos do Doador da Vida.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
1. ANTIGO TESTAMENTO. Bíblia de Jerusalém. Português. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Deuteronômio, cap. 21, ver. 18-21, p. 284.
2.       KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro, Leon Denis Gráfica e Editora: 2010. Cap. I, item 2. p. 51-3.
3.       Idem. Ibidem. Cap. I, item 9.  p. 57.
4.       Idem. Ibidem. Cap. I, item 3.  p. 53.
5. NOVO TESTAMENTO. Bíblia de Jerusalém. Português. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Evangelho segundo Lucas, cap. 15, ver. 1-32, p. 1816-7. 
 
http://www.facebook.com/fabiano.p.nunes
 

Artigo: O ESPIRITISMO E O JESUS HISTÓRICO (Autor Fabiano Pereira Nunes)


O ESPIRITISMO E O JESUS HISTÓRICO (Autor Fabiano Pereira Nunes)
 
Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano V, abril de 2013, ano 48, p.15.

“Não esqueçais que o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo, é o vosso melhoramento e é para o alcançardes que é permitido aos Espíritos iniciar-vos na vida futura, oferecendo-vos exemplos de que podeis aproveitar.” Allan Kardec. (1)
 
Dentre os inumeráveis esforços em dividir, para fins de estudo, as matérias contidas nos Evangelhos do Novo Testamento, um se nos apresenta com ímpar qualidade didática: àquele oferecido por Allan Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo (2).
 
O Apóstolo Lionês de O Espírito de Verdade elucida-nos que as matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em cinco partes: os milagres; as predições; as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja; o ensinamento moral; e os atos comuns da vida do Cristo. Tais conjuntos são - numa extraordinária combinação de coragem, inteligência e inspiração – interpretados, e encontrados permeando todas as obras publicadas pelo Codificador do Espiritismo. Conquanto, para fins didáticos, poder-se-ia atribuir uma obra Kardeciana para o estudo de cada divisão.
 
- Os milagres de Jesus: são analisados e elucidados na obra “A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”;
 
- As predições ou profecias dos evangelhos: interpretadas e explicadas na obra “A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”;
 
- As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja: criticadas e esclarecidas na obra “O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”;
 
- O ensinamento moral: desenvolvido no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”;
 
- Os atos comuns da vida do Cristo: não por acaso, Allan Kardec não desenvolveu os aspectos históricos e historiográficos da vida de Jesus de Nazaré, em nenhuma de suas obras.
 
Diante dessa lacuna, seria natural questionar se os espíritos não poderiam trazer comunicações espirituais que possibilitassem o acesso aos fatos históricos, oferecendo as peças que faltam à compreensão do chamado “Jesus Histórico”.
 
O professor HLD Rivail/Allan Kardec, pedagogo laureado pelas principais academias de ciências da sua época, foi sempre enfático ao enunciar não ser objetivo essencial do espiritismo concorrer com as ciências, abrangendo as ciências históricas, cabendo à própria Ciência desvelar os fatos históricos da vida do Cristo. Muito ao contrário, o Enviado fiel de O Espírito de Verdade sempre apregoou que fossem rejeitadas as comunicações espirituais que estivessem em contradição com os dados positivos da Ciência (3), relativos aos avanços de cada época.
 
E para dirimir quaisquer dúvidas sobre o fim precípuo do espiritismo face às ciências, o Codificador postulou diretrizes seguras, como, por exemplo:
 
Os bons espíritos vêm nos instruir tendo em vista o nosso melhoramento e o nosso progresso, e não para nos revelar o que ainda não devemos saber, ou o que devemos aprender com o nosso esforço. Se fosse suficiente interrogar os espíritos para obter a solução de todas as dificuldades científicas, ou para fazer descobertas e invenções lucrativas, todo ignorante poderia se tornar sábio a um preço muito baixo e todo preguiçoso poderia enriquecer sem trabalho; é o que Deus não quer que aconteça. Os espíritos ajudam o homem de talento pela inspiração oculta, mas não o isentam do trabalho nem das pesquisas a fim de lhe deixar o mérito” (4).
 
Os espíritos não vêm para livrar o homem do trabalho, do estudo e das pesquisas; eles não lhe fornecem nenhuma ciência inteiramente pronta, e o que o homem pode descobrir por si mesmo, eles deixam entregue às suas próprias forças” (5).
 
Os Espíritos podem guiar os homens nas pesquisas científicas e nas descobertas? A Ciência é obra do gênio; só deve ser adquirida pelo trabalho, pois é somente pelo trabalho que o homem se adianta no seu caminho. Que mérito teria, se apenas precisasse interrogar os Espíritos para saber tudo? A esse preço, qualquer imbecil poderia tornar-se sábio. O mesmo se dá com as invenções e descobertas da indústria. Depois, uma outra consideração, é que cada coisa deve vir a seu tempo e, quando as ideias estão maduras para recebê-la; se o homem tivesse este poder, subverteria a ordem das coisas, fazendo que aparecessem os frutos, antes da estação própria. Deus disse ao homem: tirarás teu alimento da terra, com o suor de teu rosto; admirável figura que pinta a condição em que ele, aqui, se encontra; ele deve progredir em tudo, pelo esforço do trabalho; se lhe dessem as coisas inteiramente prontas, de que lhe serviria sua inteligência? Seria como o estudante, cujo dever, um outro fizesse” (6).
 
Diante das alocuções – lógicas, lúcidas e insofismáveis – do mestre Allan Kardec, reflitamos sobre as notícias ditas históricas, apresentadas na literatura mediúnica. Que sejam consideradas como probabilidades ou hipóteses (7), se forem extremamente lógicas e concordantes com os dados estabelecidos pelas Ciências Históricas, a fim de não nos distanciarmos daquilo que é o objetivo essencial e exclusivo do espiritismo (1): o progresso moral da humanidade.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
(1)           KARDEC, Allan: “Perguntas sobre a destinação dos Espíritos”. O Livro dos Médiuns. Tradução de Maria Lúcia Alcantara de Carvalho. 1ª Ed., Rio de Janeiro: Leon Denis Gráfica e Editora, 2010. Segunda parte, Capítulo XXVI, Item 22. p. 364.
 
(2) Idem. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro, Leon Denis Gráfica e Editora: 2010, Introdução, item 1. p. 19-22.
 
(3) Idem: “Segunda Carta ao Padre Marouzeau”. Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos. Ano VI, Setembro de 1863. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 377.
 
(4) Idem: “Objetivo Providencial das Manifestações Espíritas”. O que é o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Seco. 3. Ed., Rio de Janeiro: Leon Denis Gráfica e Editora, 2010. Capítulo II, Item 50. p. 163
 
(5) Idem: “Fundamentos da Revelação Espírita”. A Gênese. Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 2ª Ed., Rio de Janeiro, Leon Denis Gráfica e Editora: 2008. Cap. I, item 60. p. 58.
 
(6) Idem: “294. Perguntas Sobre as Invenções e Descobertas”. O Livro dos Médiuns. Tradução de Maria Lúcia Alcantara de Carvalho. 1ª Ed., Rio de Janeiro: Leon Denis Gráfica e Editora, 2010. Segunda parte, Capítulo XXVI, Itens 28 e 29. p. 366-367.
 
(7) Idem: “Exame crítico das dissertações de Charlet sobre os animais – Observação Geral”. Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos. Ano III, Julho de 1860. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p. 331.
 
 
 
 

ENCICLOPÉDIA DA BÍBLIA, organizada por John Drane


Caros amigos.

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Bastar clicar na barra de rolagem ("setinhas") da figura abaixo, e as páginas do livro se abrirão para leitura.

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Bons estudos, fraternal abraço, Fabiano


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