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RELACIONAMENTO CONJUGAL


RELACIONAMENTO CONJUGAL

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, ano II, n. 19, outubro de 2010, p. 15.

Dentre os sinais que desvelam a transcendente Inteligência dos ensinos de Jesus, uma se nos apresenta de ímpar baliza: a sua praticidade e o seu pragmatismo, para todas as épocas da civilização cristã.

Por estalão, encontraremos as preciosas lições acerca do relacionamento conjugal.

Na sociedade hebreia daquele tempo, a mulher ocupava uma posição de significativa inferioridade, não apenas nas esferas social e religiosa, como também na familiar.

Era prerrogativa do homem iniciar um processo de divórcio, o qual ele poderia exercer baseado em considerações que, hoje, pareceriam frívolas e dignas de riso. Descontente com a esposa, ao homem era facultado dispensá-la sem nenhuma compensação, dando-lhe carta de divórcio.

Tal disposição era fundada em inúmeros Livros Mosaicos, como por exemplo, o Deuteronômio (1), que diz: “Quando um homem tiver tomado uma mulher e consumado o matrimônio, mas esta, logo depois, não encontra mais graça aos seus olhos, porque viu nela algo inconveniente, ele lhe escreverá então uma carta de divórcio, e a entregará, deixando-a sair de sua casa em liberdade.”.

Em Jesus o povo hebreu encontrara genial discernimento na exegese do Antigo Testamento, através de sua real interpretação, à luz da Lei de Justiça, Amor e Caridade.

Sobre a mesma questão da relação entre cônjuges, narra-nos o evangelista Mateus (2), que: “Quando Jesus terminou essas palavras, partiu da Galiléia, e foi para o território da Judéia, além do Jordão. Acompanharam-no grandes multidões, e ali as curou. Alguns fariseus aproximaram-se dele, querendo pô-lo à prova. E perguntaram: É lícito repudiar a sua própria mulher por qualquer motivo? Ele lhes Respondeu: Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher?E que disse por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar. Eles, porém, objetaram: Por que, então, ordenou Moisés que desse a carta de divórcio quando a repudiasse? Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações, Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio”.

Apreendendo com as elucidações do Mestre Nazareno, entenderemos que Moisés legislara seus códigos de forma rígida, por vezes até intransigente e inumano, em função dos graves problemas sociais, culturais e religiosos que enfrentara com seu povo, ao longo de 40 anos de peregrinação no deserto, conquanto, decorridos mais de 1250 anos, essas leis tornaram-se grave peso para diversos grupos – como as mulheres, os doentes, os portadores de deficiências, os hansenianos - levando-os à condição de vulnerabilidade social. Malgrado, com Jesus uma nova perspectiva era desvelada para a Lei: a da igualdade entre todos e da justiça social. Mormente, no que tange a união matrimonial, o consórcio também se elevara em patamares nunca antes logrados.

O Rabboni, Mestre Superior, demonstrara que o enlace nupcial tinha procedência Divina, e como tal, deveria ser vivido santamente, intensamente e jubilosamente, em doação recíproca de amor e respeito. Tal ponto de vista era totalmente original para aquela Nação, e sublevava os padrões culturais da época.

Dezenove séculos depois das inolvidáveis luzes esparzidas pelo Cristo de Deus sobre o matrimônio, Seu devotado mensageiro – Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec – ofereceria ao mundo o mais admirável e didático estudo sobre o desponsório, o qual está contido em todo um capítulo de O Evangelho Segundo O Espiritismo (3), intitulado “Não Separeis O Que Deus Juntou”, promovendo integral harmonização das legislações – passada, presente e futura – com a moral cristã e a Vida Porvindoura.

Igualmente, deveras relevante a perspectiva descortinada pela ciência médica, em transcendente aliança com a Doutrina Espírita. Alguns estudos científicos (4) demonstraram que tendemos a criar laços afetivos com pessoas afáveis, sensíveis e atenciosas. Sentimentos de amor podem surgir com especial rapidez quando alguém adota um comportamento empático para se adaptar às nossas necessidades. O perdão também cria vínculos e cumplicidade.

Por conseguinte, através das claridades do Evangelho de Jesus, magnificadas pelas chaves oferecidas pela Codificação Kardeciana, é possível apreender, com facilidade, o sentido e o significado da união do casamento segundo a Lei Imutável de Deus, norteando, até mesmo, a lei mutável dos homens e a ciência médica.

1. DEUTERONÔMIO. O Antigo Testamento. In: Bíblia de Jerusalém. Português. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Deuteronômio, cap. 24, ver. 1, p. 287.

2. MATEUS, O Evangelho Segundo. O Novo Testamento, in: Bíblia de Jerusalém. Português. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. Mateus, cap. 19, vers. 1 - 6, p. 1738.

3. KARDEC, Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo.Tradução de Evandro Noleto Bezerra.Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. XXII.

4. O segredo do casal feliz: compartilhar alegrias. In: Revista Mente e Cérebro, edição 212, setembro de 2010. Disponível na URL http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/o_segredo_do_casal_feliz_compartilhar_alegrias.html

 
 
 
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