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Artigo: Palavra Dura


PALAVRA DURA
“Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?” (João 6:60)
 Autor: Fabiano Pereira Nunes

Artigo publicado na REVISTA CULTURA ESPÍRITA, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil - ICEB, ano IV, n 35, fevereiro de 2012, p.15.

Na época presente, observa-se grande demanda por indivíduos que saibam transitar habilmente pela arte da boa articulação política, tendo em vista a necessidade de estabelecer alianças, pessoais e profissionais, produtivas. Evolução das relações, a finura e a destreza - interinstitucionais e interpessoais - estão entre os principais instrumentos para a aquisição de uniões frutuosas.

Nada obstante, a ambição desmedida pelo sucesso tem arrastado muitos às condições extremas da diplomacia, chegando à venalidade e à cupidez, empalidecendo os sentimentos mais justos e cristalinos, em detrimento da franqueza e da sinceridade.

Isso porque temos grande dificuldade em delimitar as tênues fronteiras entre a polidez e a falsidade, a civilidade e a pusilanimidade, a fineza apurada e a hipocrisia. Diante desse desafio, nunca será demais recordar que temos em Jesus o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode pretender(1-2) na Terra.

O Filho do Homem sempre demonstrara impar transparência de sentimentos, prova de um caráter reto e de nobres propósitos. Para qualquer pessoa tornava-se assaz fácil fazer a leitura de Suas legítimas intenções.

Sem dissimulação, discorria com lisura e firmeza, ao ponto de - segundo apreendemos em João(3)- muitos dos discípulos e seguidores que já O acompanhavam desistirem do Evangelho:

A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não mais andavam com ele”(3).

No entanto, em uma postura de incomensuráveis transparência e franqueza, Jesus voltara-se para Os Doze Apóstolos, questionando-os, à “queima roupa”:

“Não quereis também vós partir?”

Raramente na história alguém procedeu com tanta diafaneidade de atitude para com seus seguidores.

Também se ressalta(4) que Jesus sempre estivera sob o açodar das arguições dos Doutores da Lei. De todas as maneiras, buscavam colocá-Lo em contradição, ou mesmo em oposição, às Leis Judaicas – conquanto – o discurso de Jesus transcendia em inteligência até emudecê-los, em razão de Suas argumentações insofismáveis. A argúcia de Suas exposições só era superada pela Sua vida, reta e incorruptível. Foi por essa razão que Jesus, duramente, refutara aos Doutores:

- “Quem dentre vós, me acusa de pecado?”(4).

A tradução dessa expressão traz por significado inquirir quem, dentre todos os presentes, poderia apontar uma única situação na vida de Jesus que pudesse ser criticada, ou pelo menos apontar alguma atitude, palavra ou pensamento, que pudesse ser qualificada como “pecaminosa”. Inolvidável combinação de cristalinidade de sentimentos e atitude máscula.

Notavelmente, os discursos do Rabban(5) de Deus nas sinagogas constituíam magníficas exemplificações de virilidade e translucidez de caráter, criticando com lucidez e destemor os comportamentos que estivessem em desacordo com as Leis de Deus:

Assim falou ele, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. Muitos de seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la? Compreendendo que seus discípulos murmuravam por causa disso, Jesus lhes disse: Isto vos escandaliza?”(6)

Allan Kardec, em sua condição de apóstolo de O Espírito de Verdade(7), desvela as mais excelentes interpretações para o Novo Testamento, e, por conseguinte, para a complexa questão da demarcação entre a fingida bonomia e a verdadeira afabilidade. Notadamente em O Evangelho Segundo O Espiritismo(8-9), o dileto emissário do Cristo dá publicidade aos ensinos sobre o melhor proceder: nunca agir com dissimulação ou hipocrisia, mas ao contrário, desenvolver a sincera benevolência ao próximo, usando a clareza, a sinceridade e a bondade como poderosas ferramentas para promover o bem e a verdade, sem condescender com o erro, e sem renunciar a crítica construtiva e a reprovação do mal, com o estrito intuito de desmascarar o delito no interesse da caridade para com maioria.

Incorporemos, pois, as palavras duras – porém redentoras - de Jesus e Seu dileto apóstolo Allan Kardec, com o fito de balizar a melhor fronteira entre a afabilidade e a falsidade, para que não nos percamos em labirintos de hipocrisia, sempre criticada contundentemente pelo Mestre Maior.

1.       KARDEC, Allan. Le Livre Des Esprits. Quatorzième Édition. Didier Et Cie Libraires-Éditeurs, Paris: 1866. Q.625. p. 268. Tradução da questão 625 [...] “Jésus est pour l homme le type de la perfection morale à laquelle peut prétendre l humanité sur la terre” [...] feita pelo articulista.

2.       Nota: As primeiras edições francesas de O Livro dos Espíritos, assim como as demais obras de Allan Kardec, podem ser lidas no site “Google Livros”, através da URL <http://books.google.com.br/books?id=XC44AAAAMAAJ&dq=le%20livre%20des%20esprits&hl=pt-br&pg=PP7#v=onepage&q&f=false> .

3.       BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo João, cap. 6, versículos 66 e 67. p. 1860

4.       Idem. O Evangelho Segundo João, Cap. 8, versículo 46. p. 1866.

5.       Dentre os mestres hebreus (Rabbi), Rabban significava Mestre Superior.

6.       BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004.. O Evangelho Segundo João, Cap. 6, versículos 59 a 61. p. 1859.

7.       KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. Ed., Rio de Janeiro: CELD Ed, 2010. Cap. VI, item 6, p. 135.

8.       Idem. Ibidem. Cap. IX. p. 165-172.

9.       Idem. Ibidem. Cap. X, itens 19 ao 21. p. 186-187.

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