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Lucas 4:16-30 Jesus na Sinagoga de Nazaré - Programa do dia 25 de julho de 2012




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BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo Lucas 4:14-30 p. 1794-5

JEUS EM NAZARÉ

PASSAGENS PARALELAS ENCONTRADAS EM MARCOS 6, 1-6 E MATEUS 13, 58-8.

16 Ele foi a Nazara, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura.

 Nazara também era uma forma de designar a cidade de Nazaré

As sinagogas tiveram importância capital para a fé judaica na antiguidade. Em virtude das destruições e saques que ocorreram no primeiro Templo de Jerusalém, as sinagogas ocuparam seu papel, funcionando como mini templos, sendo um local para adoração a Yahweh e estudos judaicos. Após a reconstrução do Templo, espalhadas por todo o mundo, permitiam a integração do povo hebreu disperso em torno de suas crenças.

O sábado era o dia determinado para o culto público. Jesus utilizou como estratégia para o Seu ministério itinerante a pregação dentro das sinagogas, que possuíam grande capilaridade não só na Judeia. Paulo de Tarso reproduziu essa estratégia em suas viagens, pregando nas sinagogas e casas judaicas de oração espalhadas pelo mundo mediterrâneo.

A planta da sinagoga procurava reproduzir, em menores dimensões, o Templo de Jerusalém, geralmente colunas duplas formando um interior principal, também havendo uma área para as mulheres, uma área para os homens, um local para as abluções, uma nave, uma arca portátil onde ficavam o Torá e os livros dos profetas (na direção e sentido contrário a entrada principal). Próximo a Nave havia um bemah, ou plataforma elevada, de onde as Escrituras eram lidas, e em sua proximidade ficavam os assentos de honra da sinagoga.

Havia uma necessidade de interprete, pois a língua do Torá era o hebraico, e precisava de tradução para o aramaico vernacular.  Os habilitados para tal também podiam dirigir os cultos.

O culto era constituído de cinco partes:
1.               Leitura do Shemá
2.               Recitação de orações
3.               Leitura do Pentateuco Mosaico (ciclo de três anos)
4.               Leitura dos livros dos profetas
5.               Bênção final

“entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura” sugere que a iniciativa partira de Jesus, não sendo, pois, um convite. Pobre, oriundo de uma família humilde, órfão de pai desde jovem, a suposição geral era que ele não teria cultura suficiente para ler em hebraico. Jesus rompe com os preconceitos, e corajosamente se apresenta para a leitura. Jesus era um homem muito proativo, o que deve ser motivo de exemplo para todos.

“levantou-se para fazer a leitura”. O costume era fazer a leitura de textos sagrados de pé, e o comentário sentado.

17 Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; desenrolou-o, encontrou o lugar onde está escrito:

Tradição judaica:

Os cinco livros de Moisés eram lidos no decorrer de três anos.

Pentateuco, ou os Cinco Livros de Moisés, escritos em hebreu arcaico, são os primeiros da Bíblia:

Gênesis, que narra a criação do Universo e do gênero humano até a formação do povo de Israel (hebreus) e sua estada no Egito;

Êxodo, que narra a saída dos israelitas do Egito, conduzidos por Moisés;

Levítico, ou Livro das Prescrições Religiosas;

Números, que conta a história dos hebreus a partir da estada junto ao Monte Sinai até a chegada à Terra Santa (Palestina);

Deuteronômio, ou segunda lei, promulgada no fim da jornada no deserto.

O quarto momento do culto era destinado ao HAFTARAH(aftarai), ou conclusão, leitura e interpretação dos livros dos profetas relacionados aos textos do Torá.

Havia um assistente com diversas atribuições (shammash): apresentar as escritura as que deveriam ser lidas e guarda-las na arca, punir os ofensores da lei e auxiliar as crianças na leitura. Ele entrega o rolo dos textos de Isaías. Isaías foi o profeta que viveu por volta de 740 Ac, e que trouxera as ricas anunciações sobre o advento do Messias Hebreu.

Alguns pesquisadores afirmam: Não obstante o shammash, ou assistente, escolhesse o trecho para leitura, visto que o estudo dos livros proféticos também era sequencial, essa passagem do evangelho sugere que Jesus procurou um texto específico: “encontrou o lugar onde está escrito”. Mais uma postura de grande coragem por parte de Jesus.

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